Nota editorial | Southern Rock Site Brazil
Essa banda não pertence diretamente ao universo
do Southern Rock, mas sua sonoridade dialoga com elementos, influencias ou
atmosferas que orbitam o estilo. Por afinidade musical e relevância desse
contexto, ela também integra o arquivo do Southern Rock Site Brazil.
Quando cinco alemães apaixonados por Rock e Southern Rock, carros
americanos, cerveja e tatuagens resolveram juntar suas obsessões em uma mesma
banda, o resultado dificilmente poderia ser comportado. Foi assim que surgiram
os V8 Wankers, em 2000, na
cidade de Offenbach am Main, Alemanha. Desde o início, a proposta estava muito
mais próxima da gasolina, do asfalto e dos amplificadores no talo do que de
qualquer preocupação em seguir regras. A banda construiu sua identidade em
torno do que chama de “Heavy Big Block Rock’n’Roll”, uma combinação de Punk ’n’
Roll, Hard Rock, Rock de garagem e Rock de alta velocidade que transformou a
paixão por carros e pela cultura americana em parte inseparável de sua música.
A formação inicial reunia Lutz Vegas nos vocais, Vulcanus e Kid Kaez nas guitarras, Rico no
baixo e Tony Planet na bateria. Lutz, aliás, é o único integrante da formação
original que permanece na banda desde 2000, atravessando todas as mudanças que
aconteceriam ao longo das décadas. Essa permanência ajuda a explicar uma das
características mais marcantes dos V8 Wankers: apesar das alterações de
formação, a identidade da banda nunca deixou de girar em torno daquela
combinação de velocidade, atitude, humor e Rock pesado.
Os primeiros shows aconteceram em 2001, quando os
V8 Wankers dividiram palco com Skew
Siskin e Rose Tattoo. Não
demorou para a banda entrar definitivamente no circuito europeu. Em 2002 veio Blown
Action Rock, o primeiro álbum, lançado pelo Element Records, e a banda saiu em turnê
pela Alemanha. No mesmo período, tocou no Bizarre Festival e chegou a dividir
palco com o Motörhead na
Croácia. Era uma estreia bastante significativa para uma banda recém-formada,
porque colocava os V8 Wankers imediatamente diante de nomes que ajudariam a
definir a própria linguagem musical que eles estavam desenvolvendo.
O segundo álbum, Automotive Rampage, chegou em
2004 pelo Rude Records e aprofundou aquilo que já estava claro no primeiro
disco. O próprio título resume perfeitamente a estética da banda. Automóveis,
velocidade, motores e Rock’n’Roll não eram apenas temas utilizados para
construir uma imagem, eram parte da maneira como os V8 Wankers enxergavam a
própria cultura do Rock. A banda voltou a trabalhar com Rose Tattoo, participou do Wacken Open Air e continuou aumentando
sua presença no circuito europeu.
A partir daí, a história começou a ganhar
velocidade literalmente. The Demon Tweak apareceu em 2004, seguido por uma
extensa sequência de apresentações. Em 2006, os V8 Wankers chegaram a realizar
mais de 120 shows. A estrada passou a ser tão importante quanto os discos.
Festivais, clubes, encontros de motociclistas, eventos automobilísticos e casas
de Rock se tornaram parte do território natural da banda. Não importava muito o
tamanho do palco, os V8 Wankers tinham encontrado seu ambiente: tocar alto,
rápido e sem pedir licença.
Hell on Wheels, lançado em 2007, reforçou essa
identidade. O próprio nome do álbum parece resumir a filosofia dos V8 Wankers,
uma banda cuja estética sempre esteve ligada à estrada e à cultura dos veículos
americanos. Em vez de tentar suavizar a fórmula, o grupo continuou apostando em
riffs diretos, bateria acelerada, refrões fáceis de gritar junto e uma atitude
que aproximava o Punk do Hard Rock e do Rock de garagem.
Em 2010 veio Foxtail Testimonial, seguido por Iron
Crossroads, de 2011. Este último marcou uma nova etapa importante, com a
chegada da banda ao catálogo da SPV/Steamhammer. Naquela época, os V8 Wankers
já tinham uma trajetória internacional consolidada e continuavam excursionando
intensamente. Iron Crossroads trazia músicas como Sworn to Fun, Second to None,
Winner, Lone Wolf, No Club, Iron Crossroads e Live by Rock ’n’ Roll, Die by
Rock ’n’ Roll, títulos que praticamente funcionam como pequenas declarações de
princípios.
A expansão internacional também trouxe os V8
Wankers à América do Sul. Em 2015,
durante a turnê que comemorava os quinze anos da banda, os alemães passaram
pelo Brasil e pela Argentina,
com uma etapa brasileira que incluiu sete
apresentações pela região Sul do país. Entre elas esteve um show em Curitiba, realizado no Bar Lado B, em
novembro daquele ano. A passagem pelo Brasil coincidiu com a divulgação de Harden
the Fuck Up!, lançado naquele mesmo ano, e mostrou que aquela combinação de
Punk, Hard Rock, velocidade e cultura automobilística também encontrava público
do outro lado do Atlântico. Para nós, brasileiros, fica ainda mais interessante
saber que os V8 Wankers não apenas registraram a América do Sul em sua lista de
turnês: eles efetivamente colocaram o Brasil no mapa de sua história ao vivo.
Musicalmente, os V8 Wankers nunca esconderam suas
referências. AC/DC, Motörhead e Rose Tattoo aparecem como influências fundamentais, mas a fórmula
também incorpora elementos de Rockabilly, Psychobilly, Surf Rock e Punk. O
resultado não é exatamente Southern Rock, e seria errado classificá-los dessa
maneira, existe, porém, uma afinidade muito clara com aquele espírito de Rock
de estrada que também aparece em tantas bandas do nosso universo. A diferença é
que, no caso dos alemães, a estrada vem acompanhada de mais velocidade, mais
sujeira e uma quantidade considerável de gasolina imaginária correndo pelas
veias.
Depois de Iron Crossroads, vieram Got Beer? em
2013, Harden The Fuck Up! em 2015 e Full Pull, Baby! em 2018. Ao longo desse
período, a formação continuou mudando, algo que se tornou uma característica
recorrente na história do grupo. Guitarristas, baixistas e bateristas passaram
pela banda, enquanto Lutz Vegas permaneceu como o rosto e a voz que conectam
todas essas fases. Essa estabilidade no comando, combinada com a capacidade de
renovar os músicos ao redor dele, permitiu que os V8 Wankers atravessassem
diferentes períodos sem perder sua personalidade.
Depois de Full Pull, Baby!, a banda continuou
lançando material e mantendo sua presença na estrada. Vieram o single Party
Round The Clock, em 2021, e Fake Flight, em 2022, antes de um novo álbum
completo. A discografia oficial registra Choices Made In Anger como lançamento
de 2024, mostrando que, mais de duas décadas depois de sua formação, a banda
continuava produzindo material novo e mantendo viva sua identidade.
Essa longevidade torna os V8 Wankers tão
interessantes. A banda nunca tentou ser algo que não era, não procurou
reinventar o Rock, não abandonou suas obsessões e não trocou sua identidade por
uma tendência passageira. Desde 2000, continuou fazendo aquilo que sabe fazer
melhor: Rock’n’Roll pesado, rápido, sujo e divertido, com uma estética
construída em torno de motores, velocidade, cerveja, tatuagens e uma paixão
quase infantil por tudo que tenha rodas e faça barulho.
A trajetória dos V8 Wankers também mostra como a
linguagem do Rock americano atravessou fronteiras e encontrou novas vidas em
lugares inesperados. Eles são alemães, mas sua música parece ter sido
abastecida em algum posto perdido entre Detroit, Los Angeles e uma estrada
secundária qualquer. O V8 do nome não está ali por acaso, é praticamente o
coração da banda.
Por isso, mesmo não sendo uma banda de Southern
Rock, os V8 Wankers têm seu
lugar no arquivo do Southern Rock Site Brazil. Eles pertencem a essa enorme
família do Rock de estrada, aquela em que as guitarras, os carros, os
amplificadores, a liberdade e a vontade de sair por aí sem destino fazem parte
da mesma história.
E, convenhamos, uma banda que atravessou mais de
duas décadas fazendo esse tipo de Rock e continua dizendo Wankers Forever já
deixou bastante claro que não pretende estacionar tão cedo.
Formação original
Lutz Vegas: vocais
Vulcanus: guitarra
Kid Kaez: guitarra
Rico: baixo
Tony Planet: bateria
Discografia
Blown Action Rock (2002)
Automotive Rampage (2004)
The Demon Tweak (2004)
Hell on Wheels (2007)
Foxtail Testimonial (2010)
Iron Crossroads (2011)
Got Beer? (2013)
Harden The Fuck Up! (2015)
Full Pull, Baby! (2018)
Party Round The Clock (single, 2021)
Fake Flight (single, 2022)
Choices Made In Anger (2024)










