Nota editorial | Southern Rock Site Brazil
Essa banda não pertence diretamente ao universo
do Southern Rock, mas sua sonoridade dialoga com elementos, influencias ou
atmosferas que orbitam o estilo. Por afinidade musical e relevância desse
contexto, ela também integra o arquivo do Southern Rock Site Brazil.
A história do Viking Skull começou em 2002, em Corby, Northamptonshire, na
Inglaterra, de uma maneira que combina perfeitamente com a personalidade que a
banda desenvolveria nos anos seguintes: como uma espécie de brincadeira entre
músicos ligados ao Raging Speedhorn.
Frank Regan, Darren Smith e Gordon Morrison já faziam parte do Raging
Speedhorn, enquanto Roddy Stone trabalhava como técnico de guitarra da banda e
Kevin “Waldie” James cuidava do merchandising. Os cinco resolveram montar uma
formação paralela para tocar como atração de abertura nos shows do Raging
Speedhorn. O que deveria ser apenas uma diversão de estrada, porém, começou a
chamar atenção rapidamente. O público gostou, as músicas começaram a ganhar
vida própria e aquilo que era para ser uma banda de apoio acabou se transformando
em um grupo de verdade.
O Viking
Skull tinha uma característica que ficaria evidente desde os primeiros
acordes: não havia qualquer preocupação em ser elegante. A proposta era fazer
um Rock pesado, sujo, direto e divertido, construído sobre grandes riffs,
vocais ásperos, bateria pesada e uma forte influência do Heavy Metal e do Hard
Rock dos anos 1970. Black Sabbath,
AC/DC, Motörhead, Iron Maiden,
Thin Lizzy, KISS e W.A.S.P. aparecem entre as referências associadas à banda, mas
havia também uma dose generosa de Rock de estrada, boogie e atitude de bar. O
resultado era uma música que funcionava tanto para quem queria Heavy Metal
quanto para quem simplesmente queria colocar o amplificador no máximo e abrir
uma cerveja.
A primeira gravação veio em 2003 com o EP Chapter One, registrado em apenas dois
dias no Premier Recording Studios, em Corby. O orçamento era bastante modesto,
mas o resultado chamou atenção imediatamente. O EP chegou a vender mais de 10
mil cópias no Reino Unido e recebeu uma recepção excepcional da imprensa
especializada. A Metal Hammer, em particular, concedeu à gravação uma nota
histórica de 11 em 10. O que começou como uma banda montada para abrir shows
tinha, naquele momento, deixado de ser uma brincadeira. O Viking Skull havia encontrado
uma identidade própria.
A repercussão fez com que os Viking Skull começassem a excursionar
de maneira mais intensa. Em 2004, a banda passou a dividir palcos com artistas
de grande porte, incluindo Dio, Alice Cooper, HIM, Sum 41 e Brides of Destruction. Aquele circuito
de shows ajudou a consolidar a reputação do grupo como uma banda de palco,
daquelas que funcionavam especialmente bem quando os amplificadores estavam
ligados e havia uma plateia na frente.
Em 2005 veio o primeiro álbum completo, Born in Hell, lançado pelo Grand Union
Recordings. O disco ampliava a fórmula apresentada em Chapter One e colocava
definitivamente o Viking Skull
no território do Heavy Rock. Roddy Stone assumiu também a guitarra depois da
saída de Frank Regan, e a banda começou a chamar atenção fora do Reino Unido.
No ano seguinte, o grupo assinou com a 456 Entertainment para o lançamento
americano do álbum, ampliando ainda mais seu alcance.
Mas a estabilidade não seria uma característica
da primeira fase. Em 2006, Darren Smith e Gordon Morrison deixaram a banda.
Julian “Jules” Cooper entrou na guitarra e Jess Margera, baterista do CKY,
assumiu as baquetas. A entrada de Jess mudaria bastante a dimensão da história
dos Viking Skull, porque ele não era apenas um músico de outra banda, sua
ligação com Bam Margera e com toda aquela cena de West Chester, Pensilvânia,
aproximou os ingleses de um universo cultural que misturava Skate, televisão,
Rock, humor e Heavy Metal.
A nova formação registrou Chapter Two, lançado em 2007. O EP Blackened Sunrise também
apareceu naquele período e ganhou uma exposição ainda maior por meio de Viva La Bands, Vol. 2, compilação
associada a Bam Margera. O próprio Bam dirigiu o videoclipe de Blackened
Sunrise, gravado em West Chester, colocando o Viking Skull diante de uma
audiência americana muito maior do que aquela que a banda havia alcançado nos
primeiros anos.
A relação com os Estados Unidos se aprofundou em
2008. O Viking Skull fez seu primeiro show americano em 26 de julho de 2008, no Filthy Note Theatre, em West Chester,
cidade de Bam Margera e Jess Margera. A banda aproveitou a passagem pelos
Estados Unidos para trabalhar em seu terceiro álbum, Doom, Gloom, Heartache & Whiskey, gravado na Pensilvânia entre
julho e agosto daquele ano. O disco saiu pela Powerage Records e marcou um dos
momentos mais fortes da carreira do grupo.
Doom, Gloom, Heartache & Whiskey é
especialmente interessante para quem vem do universo do Southern Rock porque
revela com muita clareza onde as duas linguagens podem se encontrar. O Viking
Skull continua sendo uma banda de Hard Rock e Heavy Metal, mas seus riffs
carregam muito Blues, boogie e aquele espírito de Rock de bar que atravessa
tantas bandas americanas. Músicas como Start a War, Hair of the Dog, In for the
Kill e Drink mostram uma banda muito mais interessada em peso, groove e atitude
do que em qualquer virtuosismo exagerado.
A divulgação do álbum levou o grupo novamente à
estrada. No Reino Unido, foram treze shows em treze dias, enquanto nos Estados
Unidos a banda acompanhou o Clutch
em cinco apresentações no final de 2008. Era exatamente o ambiente em que o
Viking Skull funcionava melhor: clubes, cerveja, amplificadores, riffs pesados
e uma plateia pronta para cantar e bater cabeça.
Em 2010, Frank Regan retornou à formação. O grupo
lançou Heavy Metal Thunder, uma
compilação que reuniu versões remasterizadas de Chapter One e Born in Hell,
além de material adicional. A volta de Regan ajudou a reconectar o Viking Skull
com suas origens, enquanto a banda continuava trabalhando dentro daquela
fórmula que havia desenvolvido desde Corby.
Em 2012 veio Cursed by the Sword, lançado pela Transcend Music. O álbum trazia
Roddy Stone, Frank Regan, Dom Wallace, Waldie e Jess Margera na formação,
consolidando uma combinação de músicos de diferentes momentos da história do
grupo. O repertório mantinha intacta aquela mistura de Heavy Rock, humor, cerveja
e grandes riffs que sempre esteve no DNA da banda.
Depois de Cursed by the Sword, o Viking Skull entrou em um período de
hiato. A banda voltaria a trabalhar em 2015, quando Roddy Stone iniciou uma
campanha no Kickstarter para financiar um novo álbum, inicialmente chamado Chapter
III. O projeto acabou recebendo o nome simplesmente de Viking Skull e foi lançado em 2016. A volta também foi acompanhada
por uma pequena turnê pelo Reino Unido.
O retorno não significou o fim das mudanças. Ao
longo dos anos seguintes, diferentes músicos passaram pela formação, mas a
banda continuou ligada às suas raízes. O Viking Skull continuou sendo
reconhecido pelo mesmo espírito que havia marcado suas primeiras apresentações
em Corby: Metal pesado, Rock de estrada, humor, cerveja e uma quantidade
generosa de riffs.
E a história não terminou em 2016. Depois de mais
uma pausa, o Viking Skull voltou
a se apresentar e retomou sua atividade ao vivo. Em 2026, a banda foi anunciada
para o Bloodstock Open Air, um
dos principais festivais de Heavy Metal do Reino Unido, mantendo o nome ativo
dentro da cena britânica. A presença no festival mostra que aquela pequena
banda criada originalmente para abrir shows do Raging Speedhorn conseguiu
atravessar mais de duas décadas sem desaparecer completamente do mapa.
O mais interessante na história do Viking Skull é justamente essa mistura de mundos. Eles são ingleses, nasceram dentro de uma banda de Metal, foram influenciados por Black Sabbath e Motörhead, passaram pelo universo de Bam Margera, tocaram com Dio, Alice Cooper e Clutch e construíram uma sonoridade que, em vários momentos, encosta no Blues, no boogie e no Rock de estrada.
O Viking Skull entende muito bem aquela
velha combinação de guitarra pesada, Blues, boogie, cerveja, estrada e
Rock’n’Roll que tantas vezes aparece nas margens do Southern Rock.
Formação original
Roddy Stone: vocais
Frank Regan: guitarra
Darren Smith: guitarra
Kevin “Waldie” James: baixo
Gordon Morrison: bateria
Discografia
Chapter One (EP, 2003)
Born in Hell (2005)
Chapter Two (2007)
Doom, Gloom, Heartache & Whiskey (2008)
Heavy Metal Thunder (compilação, 2010)
Cursed by the Sword (2012)
Live at Voodoo Lounge (ao vivo, 2013)
Viking Skull (2016)










