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The Cold Stares

 


Formada em Evansville, Indiana, por músicos com raízes em Western Kentucky, a banda construiu sua trajetória sobre uma combinação poderosa de Blues Rock, Heavy Rock, Delta Blues e Classic Rock. Durante boa parte de sua história funcionou como um duo, guitarra e bateria, explorando justamente a força que pode existir quando dois músicos deixam espaço suficiente para que cada instrumento respire. A partir de 2022, com a chegada do baixista Bryce Klueh, o grupo se transformou em um power trio, e essa mudança ganhou importância especial em The Southern, álbum que levou a banda a assumir de maneira consciente a herança sulista que já estava presente em sua música.

A história começa com Chris Tapp e Brian Mullins, amigos desde a juventude e músicos que já haviam tocado juntos antes de formar The Cold Stares. Tapp assumiu guitarra e vocais, enquanto Mullins ficou responsável pela bateria. Os dois tinham uma compreensão musical bastante parecida e, ao mesmo tempo, uma visão que permitia explorar diferentes caminhos dentro de uma formação extremamente econômica. Não havia baixo, não havia uma segunda guitarra e não havia uma grande parede sonora construída artificialmente. Havia guitarra, bateria, voz e uma quantidade impressionante de energia.

O nome The Cold Stares foi inspirado em Stare It Cold, música dos The Black Crowes, uma referência que já dizia bastante sobre a direção musical daqueles dois amigos. Mas as influências iam muito além do Rock sulista. O Delta Blues de Son House, o Gospel de Blind Willie Johnson, o Blues elétrico, o Classic Rock e, principalmente, bandas como Led Zeppelin, Free, Bad Company, AC/DC, The Allman Brothers Band e Lynyrd Skynyrd ajudaram a construir o vocabulário musical da dupla. A mistura não resultava em uma banda de revival. The Cold Stares pegava elementos dessas tradições e os transformava em algo contemporâneo, pesado e visceral.

O primeiro álbum, A Cold Wet Night and a Howling Wind, foi lançado de maneira independente em 2014. O disco começou a espalhar o nome da banda através do boca a boca e da intensa atividade ao vivo. Vieram depois trabalhos como Resonator, Look Over Yonder Hill e, em 2016, um EP que receberia um nome que muitos anos mais tarde voltaria a aparecer na história do grupo: The Southern. Aquele primeiro The Southern reunia quatro músicas, Friend of Mine, Child of God, Cold Black Water e The River, e representava uma primeira aproximação deliberada da banda com suas raízes sulistas. Na época, a própria banda explicou que havia gravado um conjunto de músicas nas quais havia levado suas raízes Southern para o primeiro plano.

O crescimento aconteceu principalmente na estrada. The Cold Stares construiu sua reputação tocando muito, dividindo palcos com nomes importantes do Blues e do Rock e desenvolvendo uma reputação de banda extremamente forte ao vivo. A experiência era fundamental para um grupo que dependia tanto da interação entre guitarra e bateria. Tapp não precisava de uma produção gigantesca para preencher um palco. Seu timbre carregava peso suficiente, enquanto Mullins transformava a bateria em uma segunda parede sonora.

Em 2017 veio Head Bent, trabalho que marcou uma nova etapa e ajudou a consolidar a banda dentro do circuito de Blues Rock. No ano seguinte, Mountain aprofundou ainda mais aquela combinação de Blues, Rock pesado e psicodelia. A guitarra de Tapp tinha peso suficiente para remeter ao Hard Rock, mas nunca perdia a conexão com o Blues. Mullins, por sua vez, tocava como alguém que entendia que a bateria não era simplesmente marcação de tempo, mas parte fundamental da personalidade da música.

Em 2019, The Cold Stares lançou Ways, um dos trabalhos mais importantes de sua primeira fase. O projeto originalmente foi construído em torno de três EPs, Ways Blue, Ways White e Ways Black, que posteriormente foram reunidos no álbum Ways. A experiência permitiu que a banda explorasse diferentes lados de sua personalidade musical sem abandonar a essência que havia construído desde os primeiros anos.

Foi nessa fase que The Cold Stares chamou ainda mais atenção. Joe Bonamassa chegou a elogiar o grupo publicamente, e músicas da banda começaram a aparecer em comerciais, programas de televisão e outros meios. Sleeping with Lions, por exemplo, ganhou exposição em produções como Animal Kingdom, além de aparecer em campanhas e eventos esportivos. A banda estava deixando de ser uma descoberta restrita ao circuito de Blues Rock e começava a alcançar um público muito maior.

Em 2021 veio Heavy Shoes, primeiro álbum da banda pela Mascot Records. O disco mostrou que a experiência acumulada na estrada havia deixado The Cold Stares ainda mais segura de sua identidade. A pandemia de Covid-19 havia interrompido parte dos planos da banda, mas também proporcionou a Chris Tapp tempo para escrever e desenvolver uma grande quantidade de material. O resultado foi um álbum pesado, direto e profundamente conectado ao Blues, com músicas como Heavy Shoes, 40 Dead Men, Hard Times e Prosecution Blues.

Foi também nesse período que aconteceu uma transformação importante. Depois de mais de uma década funcionando como duo, The Cold Stares decidiu acrescentar um baixista. Bryce Klueh entrou em 2022 e mudou a arquitetura sonora da banda. A guitarra de Tapp ganhou mais espaço, a bateria de Mullins passou a trabalhar sobre uma fundação mais pesada e o grupo adquiriu a dimensão de um verdadeiro power trio. A mudança ficou evidente em Voices, lançado em 2023. A nova formação não apagou a essência original, ampliou aquilo que já existia.

Mas seria The Southern, lançado em 6 de setembro de 2024 pela Mascot Records, que colocaria todas essas influências em perspectiva. E aqui existe uma diferença importante em relação ao EP de 2016: estamos falando de um álbum de estúdio completo, com onze músicas, que marcou uma decisão consciente de explorar a identidade sulista da banda. O próprio Chris Tapp contou que, depois de ouvir durante anos a banda ser associada ao Southern Rock, decidiu escrever deliberadamente sobre essa influência. A descoberta acabou sendo mais profunda do que simplesmente assumir uma etiqueta musical. Para Tapp, ser sulista estava ligado à família, à tradição e às experiências que formaram sua personalidade. E é exatamente isso que faz The Southern funcionar tão bem.

O mais interessante é que The Cold Stares não precisa fingir que é uma banda sulista. A origem de Tapp e Mullins em Western Kentucky, a relação com Blues, Gospel e Rock, as histórias familiares e a experiência de tocar durante anos em pequenas casas e clubes já forneciam essa identidade naturalmente. O álbum de 2024 apenas colocou tudo isso sob uma mesma luz.

E Bryce Klueh teve papel fundamental nesse momento. Seu baixo acrescentou profundidade ao som e permitiu que Tapp explorasse ainda mais a guitarra. Se os primeiros discos tinham a força quase primitiva de um duo, The Southern apresentou uma banda com musculatura diferente. A guitarra continua no centro, mas agora existe um baixo que dá peso às frequências graves e permite que Brian Mullins trabalhe a bateria com ainda mais liberdade.

A história não terminou ali. The Southern, Pt. 2, lançado em 2025, aprofundou a relação da banda com essa identidade, enquanto Texas, lançado em 2026, levou o grupo para outra região fundamental de suas influências, olhando especialmente para o universo musical de ZZ TOP e dos irmãos Jimmie e Stevie Ray Vaughan.

Formação

Chris Tapp - Vocais e guitarra
Brian Mullins - Bateria
Bryce Klueh - Baixo

Discografia selecionada

2017 Head Bent
2019 Ways
2021 Heavy Shoes
2024 The Southern