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The Bushmen

 


Antes de Atlanta se transformar em uma das grandes capitais do Southern Rock, existia uma quantidade de bandas tocando em clubes, bailes, colégios e ginásios por todo o Sul dos Estados Unidos. Eram grupos que aprendiam a tocar diante do público, misturando Rock and Roll, Rhythm and Blues, Country, Soul e tudo aquilo que estivesse chegando pelas rádios. The Bushmen foi uma dessas bandas, mas sua história acabou se tornando particularmente importante por causa de um de seus integrantes: Rodney Mills.

A banda nasceu em Douglas, Georgia, em 1962, originalmente com o nome The Revelons. O grupo era formado por jovens músicos da região que tinham em comum o gosto pela música de raízes sulistas, tanto branca quanto negra, e pelos grandes sucessos que dominavam as rádios. A formação que ficou associada aos primeiros anos reunia John Adams, Tommy Kennerly, Joey Adams, Rodney Mills e Harry Aldridge. O nome The Bushmen surgiu pouco depois, dado por um DJ local que fazia referência aos cabelos dos integrantes.

O que começou como uma banda de adolescentes rapidamente se transformou em um dos grupos de baile mais populares do Sudeste americano. Os Bushmen tocavam por toda a região e desenvolveram reputação como banda ao vivo. Tinham vocais e harmonias fortes, músicos competentes e, principalmente, sabiam fazer aquilo que uma boa banda de baile precisava fazer: manter uma multidão dançando e envolvida durante toda a noite.

A popularidade chegou a um ponto em que o grupo passou a dividir palcos com artistas nacionais e internacionais. Em 4 de maio de 1965, os Bushmen abriram para os Rolling Stones no Hanner Gymnasium, em Statesboro, Georgia. O episódio entrou para a memória local porque, segundo relatos de pessoas que estavam presentes e registros posteriores da imprensa, a reação do públicofoi extraordinariamente forte, chegando a superar a recepção dada aos próprios Stones naquela noite.

A banda também construiu uma estrutura profissional incomum para um grupo regional. Em 1967, transferiu sua base para Atlanta, uma cidade que oferecia melhores possibilidades de contratação e gravação. Eles chegaram a ter seu próprio estúdio, editora, agência de booking e até um ônibus Trailways para as excursões. Antes disso, já haviam gravado em cidades como Jacksonville, Memphis, Nashville e Muscle Shoals, além de Atlanta.

Apesar de toda a força nos palcos, a história fonográfica dos Bushmen foi bem mais modesta. A formação original registrou apenas quatro singles, lançados por selos como Smash, SSS International, CGC e Shurfine. O próprio Harry Aldridge reconheceu posteriormente que o material de estúdio nunca conseguiu reproduzir completamente a energia que a banda possuía ao vivo. E aqui que a história de Rodney Mills começa a ganhar uma dimensão muito maior.

Nascido em Douglas, em 1946, Mills entrou para a banda em 1962 como baixista. Permaneceu aproximadamente sete anos no grupo e, durante esse período, começou a desenvolver um fascínio pela gravação de música. Em 1967, ainda antes de deixar definitivamente a vida de músico, já estava buscando uma carreira como engenheiro de áudio.

Em 1968, tornou-se engenheiro-chefe do Lefevre Sound Studios, em Atlanta. Ali entrou em contato com uma variedade impressionante de estilos e artistas, trabalhando com nomes como Joe South, Billy Joe Royal, Dennis Yost and the Classics IV, The Meters, James Brown, The Winstons e Mylon LeFevre. A experiência foi fundamental para sua formação profissional e também para a compreensão de como diferentes tradições musicais poderiam coexistir dentro de um mesmo estúdio.

Em 1970, o produtor e compositor Buddy Buie convidou Mills para construir um novo estúdio em Doraville, nos arredores de Atlanta. Mills ajudou a projetar e supervisionou a construção do Studio One, que rapidamente se transformaria em um dos lugares mais importantes da história do Rock sulista. Foi dentro daquele estúdio que a história de Rodney Mills se cruzou definitivamente com a história do Southern Rock.

Trabalhou em gravações de Lynyrd Skynyrd, The Atlanta Rhythm Section, .38 Special, The Outlaws, Journey, Gregg Allman e muitos outros tantos artistas. No caso do Lynyrd Skynyrd, participou como engenheiro de quatro álbuns, incluindo Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd, Second Helping, Nuthin' Fancy e Street Survivors. Também esteve envolvido na gravação de Sweet Home Alabama, registrada no Studio One em 1973.

Antes de estar atrás do console registrando algumas das músicas mais importantes do Southern Rock, Rodney Mills estava do outro lado do palco, tocando baixo com uma banda de Douglas, Georgia. Os Bushmen faziam parte daquela geração de músicos sulistas que absorveu Blues, Country, R&B, Soul e Rock and Roll sem se preocupar muito com fronteiras entre estilos. Décadas depois, ajudaria a registrar justamente a geração que transformaria aquela mistura em um dos sons mais importantes da música americana.

Permaneceu no Studio One durante aproximadamente dezesseis anos. Depois, em 1986, seguiu carreira independente como produtor e engenheiro, trabalhando novamente com .38 Special, Gregg Allman, The Doobie Brothers, The Radiators, Cruzados e diversos outros artistas. Em 1989, produziu Second Chance, do .38 Special, música que chegou ao primeiro lugar da parada Adult Contemporary da Billboard.

No início dos anos 1990, criou o Rodney Mills Masterhouse, em Atlanta, iniciando uma nova fase como engenheiro de masterização. Seu trabalho posterior alcançaria artistas de universos extremamente diferentes, incluindo Pearl Jam, R.E.M., The Wallflowers, Collective Soul, Rage Against the Machine, Sugarland, Drive-By Truckers e muitos outros.

Em 1996, Rodney Mills foi incluído no Georgia Music Hall of Fame, reconhecimento que sintetiza uma carreira que começou muito longe das grandes salas de gravação, começou em Douglas, Georgia, tocando baixo em uma banda de adolescentes chamada The Bushmen.

Os Bushmen, por sua vez, tiveram diferentes reuniões e formações ao longo dos anos e chegaram a registrar três CDs depois da reunião, mas sua importância histórica permanece principalmente ligada à primeira fase dos anos 1960. Foram uma banda de palco, uma banda de estrada e, acima de tudo, um retrato de uma época em que músicos jovens do Sul aprendiam a tocar ouvindo tudo ao redor e levando aquela mistura para o público.

Por isso que The Bushmen merece um lugar no acervo do Southern Rock Site Brazil. Não porque tenha sido uma banda de Southern Rock no sentido estrito do termo, mas porque representa uma das raízes humanas e musicais que ajudaram a criar o ambiente onde o gênero floresceria poucos anos depois. E existe uma ligação ainda mais forte: Rodney Mills.

O baixista se tornou um dos engenheiros e produtores fundamentais da música sulista de Atlanta. Aquele garoto que tocava em bailes na Geórgia acabou trabalhando com grandes nomes da música do sul, ajudando a registrar e moldar o som de uma geração inteira.

Uma pequena banda de Douglas que não conquistou a história através de uma grande discografia, mas que participou de uma cena que preparou o terreno para algo muito maior.

E, no centro dessa história, estava um jovem baixista chamado Rodney Mills, que descobriu que sua verdadeira contribuição para a música não estaria apenas em tocar as notas, mas em aprender a capturar o som delas.

Formação clássica

John Adams - Vocais
Tommy Kennerly - Guitarra
Joey Adams - Guitarra
Rodney Mills - Baixo
Harry Aldridge - Bateria

Discografia

The Bushmen registraram quatro singles com a formação original. As formações posteriores também lançaram três CDs