Entre discos, artistas e gostos diferentes, uma
relação construída sobre respeito e apoio deixou uma lição que permanece muito
além da música.
Por Renato Martins São Pedro
A música sempre foi uma constante dentro de casa
e eu cresci ouvindo música, convivendo com discos, artistas e estilos que nem
sempre faziam parte do meu gosto. Com o tempo, fui descobrindo os meus caminhos
e mergulhando cada vez mais fundo no rock. Muitas das músicas que eu passei a
ouvir também não eram do gosto dele. Havia respeito. Meu pai nunca precisou
gostar das minhas músicas para entender o quanto elas eram importantes para
mim. Nunca precisei ouvir dele que aquilo era barulho, que aquela banda não
prestava ou que eu estava perdendo tempo com meus discos. Ele respeitava minhas
escolhas e sempre me apoiou. Quando o Southern Rock Site Brazil começou a
ganhar forma e passou a ocupar um espaço cada vez maior na minha vida, ele
também apoiou o projeto. Sabia o quanto aquilo significava para mim e
acompanhava, à maneira dele, aquela paixão que eu estava transformando em algo
concreto.
Hoje, olhando para tudo isso, percebo que o mais bonito não era termos os
mesmos discos na estante ou as mesmas músicas tocando pela casa, era o
contrário… ele tinha os artistas dele, eu tinha os meus, e mesmo assim existia
espaço para os dois. A música estava presente, mas o respeito estava acima
dela. Cresci ouvindo música e aprendendo, dentro da minha própria casa, que
gostar de coisas diferentes nunca foi motivo para diminuir a paixão de ninguém.
Meu pai me ensinou isso sem precisar fazer discurso algum. E quando penso no
apoio que ele sempre me deu, inclusive com o Southern Rock Site Brazil, é
impossível não me emocionar. Hoje, eu lembro do meu velho com
saudade, mas também com gratidão. Pelo pai que foi, pelo apoio que sempre deu e
por ter entendido que algumas das coisas mais importantes para um filho não
precisam ser iguais às coisas que fazem sentido para o pai.









