Nota editorial |
Southern Rock Site Brazil
Essa banda não pertence diretamente ao universo do Southern Rock, mas sua sonoridade dialoga com elementos, influencias ou atmosferas que orbitam o estilo. Por afinidade musical e relevância desse contexto, ela também integra o arquivo do Southern Rock Site Brazil.
Formado em Salisbury, Inglaterra, no final dos
anos 1960, o Jerusalem surgiu em
um momento particularmente fértil do Rock britânico. A banda foi construída em
torno de Paul Dean, Ray Sparrow, Bob Cooke, Bill Hinde
e Lynden Williams, e rapidamente
chamou atenção pela sonoridade pesada, crua e agressiva.
A grande oportunidade apareceu quando Ian Gillan, vocalista do Deep Purple, conheceu a banda e
decidiu ajudá-la. Gillan não apenas produziu o primeiro álbum como também
passou a trabalhar na administração do grupo. O resultado foi Jerusalem,
lançado em 1972 pela Deram Records.
O disco é hoje considerado um pequeno clássico
cult do Hard Rock britânico. A produção de Gillan preservou justamente aquilo
que diferenciava o grupo: guitarras pesadas, vocais intensos e uma sonoridade
pouco polida, muito mais próxima da energia de uma banda de palco do que das
produções sofisticadas que começavam a dominar o mercado.
A banda também teve uma vida intensa na estrada.
O Jerusalem dividiu palcos com
alguns dos maiores nomes do Rock pesado britânico, entre eles Black Sabbath, Deep Purple, Uriah Heep
e Status Quo. Apesar disso, o
sucesso comercial não veio na proporção esperada. O álbum não entrou nas
paradas e a banda acabou encerrando sua primeira fase pouco tempo depois.
Durante décadas, Jerusalem permaneceu como
uma daquelas pequenas joias descobertas principalmente por colecionadores e
admiradores do Hard Rock setentista. O tempo, porém, não apagou o nome.
Em 2008, Lynden
Williams e Bob Cooke
retomaram o projeto, e no ano seguinte surgiu Escalator. A nova fase
apresentava uma sonoridade mais progressiva e elaborada, distante da crueza do
álbum de 1972, mas ainda preservando a identidade vocal de Williams.
Em 2014 veio Black Horses, disco que você
tem na coleção e que apresenta uma formação bastante diferente daquela do
início dos anos 1970. O álbum contou com músicos convidados importantes, entre
eles Geoff Downes, dos Yes e Asia, nos teclados, e Nick
D'Virgilio, do Spock's Beard,
na bateria. A presença de Blues, Hammond, violino e harmônica ampliou a
sonoridade da banda, enquanto músicas como Puppet King, Shades of
Blue e The Albatross mantiveram uma ligação evidente com o Hard Rock
clássico.
Existe ainda uma questão importante envolvendo
essa segunda fase. Paul Dean, um
dos fundadores do Jerusalem, contestou o uso do nome pela formação posterior e
afirmou que não considerava aquela banda uma continuidade legítima do grupo
original. Dean também declarou que Bob
Cooke não participou musicalmente das gravações de Black Horses,
embora tenha sido creditado no projeto. Como se trata da posição de um dos
fundadores, é uma questão que faz parte da história, mas não precisa apagar a
existência dos trabalhos posteriores.
O Jerusalem
original teve uma trajetória curta, mas deixou um daqueles discos que parecem
ter sido feitos para serem redescobertos décadas depois. O álbum de 1972
captura uma banda jovem, pesada e sem preocupação em suavizar sua música. Black
Horses, por outro lado, representa uma segunda vida, muito mais distante
daquela formação original, mas ainda interessada em manter o nome e a linguagem
do Rock pesado vivos.
Não é Southern Rock. Mas é uma banda que ajuda a entender o universo
musical que estava acontecendo ao redor do gênero. E para quem mergulha
fundo na história do Rock sulista, essas conexões também fazem parte da viagem.
Formação
do Jerusalem de 1972
Lynden Williams - Vocais
Bob Cooke - Guitarra
Bill Hinde - Guitarra
Paul Dean - Baixo
Ray Sparrow - Bateria
Discografia
1972 Jerusalem
2009 Escalator
2014 Black Horses
2016 Cooler Than Antarctica










