Como a estética dos cowboys, das estradas e da
vida fora das grandes cidades encontrou no Southern Rock uma nova forma de
representar liberdade e identidade.
Por Renato Martins São Pedro
Quando pensamos no gênero, é comum imaginarmos chapéus de cowboy, botas gastas
pela estrada, fivelas enormes, jaquetas de couro, cavalos, desertos e aquele
espírito de fora da lei eternizado pelos filmes do Velho Oeste. E o Velho Oeste
americano e o Sul dos Estados Unidos não são a mesma coisa. As paisagens áridas
do Arizona, do Novo México e de boa parte do Oeste estão a milhares de
quilômetros das florestas, fazendas, rios e estradas da Geórgia, do Alabama, da
Flórida, do Mississippi ou das Carolinas. O Texas é o grande ponto de encontro
entre esses dois mundos, carregando características de ambos. Ainda assim, o
Southern Rock abraçou aquela estética como se ela tivesse nascido dentro dele.
Existe uma explicação para isso, porque o cowboy e o sulista compartilham algo
muito maior do que a geografia: compartilham a ideia da liberdade, a vida longe
dos grandes centros, o apego às tradições, às raízes familiares, às pequenas
cidades e ao orgulho de pertencer a uma cultura própria. O fora da lei do Southern
Rock raramente foi retratado como um criminoso, ele era o sujeito que não
aceitava viver sob as regras dos outros, era o homem que preferia a estrada ao
escritório, a guitarra ao relógio de ponto e a independência ao conformismo.
Foi assim que a estética do Velho Oeste encontrou espaço no Southern Rock. Os
chapéus, as botas e as fivelas não eram fantasias, e sim símbolos. Símbolos de
uma vida guiada pela liberdade, pela autenticidade e pelo desejo de seguir o
próprio caminho. Décadas depois, ainda é impossível olhar para tantas capas de
discos, fotografias promocionais e palcos do Southern Rock sem enxergar um
pouco daquele velho espírito das fronteiras americanas.
O Velho Oeste e o Sul podem estar distantes no mapa, mas sempre estiveram muito
próximos na alma.










