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A autenticidade nunca sai de moda

 


O Southern Rock nasceu sem personagens, sem fórmulas e sem a necessidade de parecer aquilo que não era.

Por Renato Martins São Pedro

Vivemos em uma época em que a imagem parece ter se tornado tão importante quanto a essência. As redes sociais estão cheias de personagens cuidadosamente construídos, marcas pessoais e versões editadas da realidade. Talvez por isso o Southern Rock continue exercendo tanto fascínio sobre quem se aproxima de sua história. Porque, em sua origem, ele nunca pareceu interessado em fingir ser algo que não era.

No início dos anos 70, enquanto parte da indústria musical investia em tendências, imagens cuidadosamente planejadas e estratégias para conquistar mercados cada vez maiores, um grupo de músicos do sul dos Estados Unidos apareceu vestindo aquilo que usavam no dia a dia: calças jeans gastas, botas marcadas, camisetas simples, cabelos compridos e uma enorme vontade de tocar a música que fazia sentido para suas vidas. Não existia um departamento de marketing dizendo como Ronnie Van Zant deveria se vestir, não havia alguém ensinando Toy Calldwell a parecer um homem do sul. Eles não estavam interpretando personagens, apenas sendo quem eram.

E isso torna o Southern Rock tão diferente de tantas outras correntes musicais. Aquelas bandas não estavam tentando se encaixar na indústria, a indústria é que precisou encontrar uma forma de entender o que estava acontecendo no sul dos Estados Unidos. As músicas falavam das estradas que eles percorriam, das cidades onde cresceram, das pessoas que conheciam, dos problemas que enfrentavam e das alegrias que celebravam. Não havia necessidade de inventar uma realidade mais interessante, a vida que eles levavam já fornecia material suficiente para preencher discos inteiros.

As músicas continuam soando verdadeiras décadas depois, pois elas nasceram de experiências reais e não de fórmulas. Vivemos em um mundo que frequentemente nos incentiva a parecer algo: mais bem-sucedidos, mais interessantes, mais populares e mais aceitos. O Southern Rock, por outro lado, sempre transmitiu uma mensagem muito diferente: seja você mesmo, sem fantasias, sem personagens e sem precisar da aprovação de quem não conhece sua história.

Quanto mais estudo a cultura sulista, mais percebo que essa autenticidade é um dos maiores legados do Southern Rock, porque antes de se tornar um gênero musical, ele já era uma forma de enxergar a vida.