Um acervo de histórias, discos e descobertas que
continua revelando novos caminhos para quem se permite olhar além dos grandes
nomes.
Por Renato Martins São Pedro
Há muitos anos, eu costumo dizer uma frase que
meus amigos já conhecem de cor: O baú do Rock não tem fundo.
E para o Southern Rock, a minha marca registrada já não é suficiente. O baú do
Southern Rock é infinito. Não tem horizonte. Não tem fundo. Por isso que eu
continuo pesquisando todos os dias. Tenho prazer em descobrir uma banda nova.
Mas existe um prazer ainda maior em descobrir uma banda velha. Aquela que
gravou um único disco em 1971. Aquela que abriu shows para gigantes, mas nunca
recebeu o reconhecimento que merecia. Aquela que desapareceu dos holofotes, mas
deixou uma música capaz de emocionar cinquenta anos depois.
Quando encontro uma banda assim, não sinto que cheguei atrasado, sinto que
acabei de receber um presente. É como abrir um baú antigo sem saber o que
existe lá dentro. Toda vez que a tampa se levanta, aparece mais uma história
esperando para ser contada. Quanto mais pesquiso… mais descubro. Quanto mais
descubro… mais percebo o quanto ainda existe para conhecer e isso é
maravilhoso. Porque significa que essa viagem nunca termina.
A maior riqueza do Southern Rock está nisso, ela não vive apenas nas bandas
mais famosas, ela também está escondida em um álbum esquecido, em uma gravação
independente, em uma banda de garagem, em um guitarrista extraordinário que a
história deixou nas entrelinhas do tempo. Quando isso acontece, nasce um
sentimento inevitável, a vontade de fazer justiça. A vontade de trazer essas
histórias de volta, apresentar essas bandas para quem nunca ouviu falar delas.
Mostrar que elas existiram, que fizeram música de verdade e que também ajudaram
a construir esse estilo maravilhoso.
É por isso que continuo pesquisando e escrevendo, não para completar um
arquivo, mas porque sempre existe mais uma estrada para seguir. Mais um disco
para ouvir, mais uma banda esperando para ser descoberta. O maior presente que
o Southern Rock me deu foi este: Saber que eu nunca vou conhecer tudo.
Porque a graça está justamente em nunca chegar ao fim da viagem.
Você caminha… Descobre uma banda, depois outra, depois mais uma. E, quando
acredita que finalmente consegue enxergar o horizonte, percebe que ele andou
mais alguns quilômetros.
O baú do Rock não tem fundo.
O do Southern Rock vai além.
Ele é infinito.
Não tem horizonte.










