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Molly Hatchet Sao Paulo 2013

 


Molly Hatchet em São Paulo, 2013

Quando o Southern Rock falou alto no Live N Louder

Por Renato São Pedro

Nem sempre a história de um show se mede pelo horário em que a banda sobe ao palco. Às vezes, ela se mede pela intensidade do que acontece ali, pelo vínculo criado com o público e pelo peso simbólico de quem está tocando. Foi exatamente isso que aconteceu quando o lendário Molly Hatchet abriu o festival Live N Louder, em abril de 2013, na cidade de São Paulo.

Representantes diretos da linhagem clássica do Southern Rock norte-americano, a banda subiu ao palco carregando décadas de estrada, um repertório consolidado e a responsabilidade de apresentar, logo no início do evento, um som que une peso, tradição e identidade. O resultado foi uma apresentação vibrante, calorosa e marcada por uma conexão sincera com o público brasileiro.

Desde os primeiros acordes de Whiskey Man, o que se viu foi uma banda segura e focada. O som vinha encorpado, com guitarras bem definidas e uma base rítmica firme, sem sinais de apresentação protocolar. Mesmo sendo o primeiro show do festival, a resposta do público foi imediata. Havia ali fãs que conheciam cada riff e também curiosos que rapidamente foram absorvidos pela força da banda.

Bounty Hunter manteve a intensidade e destacou a presença de palco do vocalista Phil McCormack. Confortável e comunicativo, ele conduzia o show com naturalidade, apontando para fãs, interagindo entre as músicas e demonstrando evidente prazer em tocar no Brasil. Na transição dessa música para Gator Country aconteceu um dos momentos mais marcantes da noite. McCormack fez uma menção espontânea ao Southern Rock Site Brazil, gesto que provocou reação imediata e ruidosa da plateia. O público respondeu com entusiasmo, criando um instante de reconhecimento coletivo que conectava palco, fãs e a história do Southern Rock no país.

Com Gator Country, o show ganhou ritmo contínuo e definitivamente se estabeleceu. Fall of the Peacemakers trouxe peso emocional e execução precisa, mostrando uma banda coesa e experiente. Em Beatin’ the Odds e The Creeper, o grupo demonstrava domínio do palco e um entrosamento evidente, fruto de anos de estrada.

No centro dessa dinâmica estava o guitarrista Bobby Ingram, figura carismática e extremamente comunicativa. Sorridente, brincava com o público, trocava gestos com McCormack e conduzia a energia do palco com naturalidade. Ao lado dele, o tecladista John Galvin mantinha a base harmônica com elegância discreta, enquanto o baterista Sean Beamer entregava uma performance potente e precisa, sustentando o andamento do show com segurança. No baixo, Tim Lindsey cumpria papel essencial na sustentação rítmica, garantindo peso e consistência ao conjunto.

Um capítulo especial daquela apresentação foi a presença de Dave Hlubek, fundador da banda e único representante da formação original ligado ao grupo naquele período. Sua presença tinha valor histórico evidente. Mais do que participação musical, ela funcionava como elo direto entre aquela noite em São Paulo e a gênese do Molly Hatchet na década de 1970. Ver Hlubek no palco era testemunhar a continuidade de uma história fundamental dentro do Southern Rock.

A segunda metade do show manteve a intensidade. One Last Ride trouxe um momento de atmosfera mais contemplativa, seguido pela retomada do vigor em Been to Heaven – Been to Hell. Jukin’ City reacendeu o clima festivo, preparando o terreno para um dos pontos mais emocionais da noite. Dreams I’ll Never See foi recebida com respeito e entusiasmo, cantada por muitos fãs e executada com sentimento evidente.

O encerramento veio com Flirtin’ with Disaster, transformando o espaço em um coro coletivo. A música funcionou como síntese perfeita do show, reunindo peso, identidade e participação do público. Mesmo sendo a primeira banda do festival, o Molly Hatchet deixou uma marca forte e duradoura.

Outro aspecto que reforçou o caráter especial daquela noite foi a postura dos músicos após a apresentação. Em vez de recolherem-se imediatamente, circularam pelo local, interagiram com fãs e demonstraram proximidade rara para artistas com uma trajetória tão longa. Esse comportamento reforçou a impressão de que o show não foi apenas mais uma data na agenda, mas um encontro genuíno com o público brasileiro.

A apresentação no Live N Louder confirmou o Molly Hatchet como uma banda que transcende rótulos de nicho. O grupo mostrou energia, respeito ao público e fidelidade à própria identidade musical. Mais do que uma abertura de festival, foi uma aula de presença de palco, história e conexão com a plateia.

Setlist

Whiskey Man

Bounty Hunter

Gator Country

Fall of the Peacemakers

Beatin’ the Odds

The Creeper

One Last Ride

Been to Heaven – Been to Hell

Jukin’ City

Dreams I’ll Never See

Flirtin’ with Disaster


Serviço

Local: Espaço das Américas

Data: 13/04/2013

Horario: 18 horas  

Cobertura realizada pelo Southern Rock Site Brazil.

ASSINATURA EDITORIAL

A cobertura foi realizada integralmente na época, mas não publicada por decisão interna vinculada ao evento e à produção do festival. A decisão foi respeitada pela equipe do site. O episódio foi contextualizado como parte do resgate histórico do Southern Rock Site Brazil.