Molly
Hatchet em São Paulo, abril de 2013
Entre
bastidores, estrada e história
Quando
o show do Molly Hatchet foi anunciado para São Paulo ainda em 2012, a expectativa já
era enorme. O Southern Rock Site Brazil vivia um de seus períodos mais intensos
de acesso e alcance internacional, recebendo mensagens de leitores do Brasil e
do exterior, consolidando-se como uma das principais referências do gênero no
país. Ainda assim, aquele período também foi pessoalmente difícil para mim, o
que me afastava da rotina do site e das postagens frequentes.
Foi
então que um amigo fundamental em diversas coberturas do site, Bruno Henrique
Miguel, entrou em contato com Bobby Ingram. A conversa começou pela empolgação
da banda em tocar no Brasil e pela ansiedade de um fã em ver seus ídolos pela
primeira vez no país. No meio desse diálogo, o site foi citado. Ingram conhecia
o nome, mas nunca havia visitado. Quando recebeu o link e explorou o conteúdo,
a reação foi imediata. Ele compartilhou com os demais membros e, pouco depois,
veio a resposta que mudaria o rumo daquela passagem da banda pelo Brasil. Eles
queriam o Southern Rock Site Brazil como parceiro e veículo oficial da
cobertura em São Paulo.
Mesmo
passando por um momento pessoal delicado, aceitei. Recusar significaria
comprometer não apenas a cobertura, mas uma oportunidade rara de aproximação
direta entre banda e público brasileiro. Diferentemente da cobertura oficial
feita no ano anterior com o Black Oak Arkansas, desta vez a equipe seria
reduzida. Apenas eu, Bruno e Vinícius Andreata, que veio de Araçatuba movido
pela paixão pelo Southern Rock. E fomos nós três que seguramos a bronca.
Na
véspera do encontro com a banda, nos reunimos numa antiga lanchonete com temática
sulista de São Paulo, o Mama Road, onde entre hambúrgueres, fritas e Guinness
Ireland organizávamos mentalmente a cobertura e absorvíamos o peso do que
estava por vir.
O
primeiro contato com Bobby Ingram ocorreu no hotel. Simpático, generoso e
extremamente receptivo, pediu desculpas pelos outros membros estarem descansando
após a longa viagem vinda da Europa. Mesmo assim, passou horas conosco no bar
do hotel contando histórias da banda, lembranças de Danny Joe Brown, reflexões
sobre a trajetória do grupo e o orgulho de manter vivo o legado. Enquanto nós
bebíamos Guinness, ele e o manager optavam por guaraná. Só depois entenderíamos
o motivo.
Já
passava das três da manhã quando decidimos encerrar o encontro. No dia seguinte
voltaríamos para passar o domingo inteiro com a banda antes do show.
Na
manhã seguinte, reencontramos todos os integrantes. Vinícius levava na mochila
uma garrafa de Jack Daniel’s para um brinde simbólico em homenagem a Whiskey
Man. A ideia parecia perfeita, mas tanto Ingram quanto Dave Hlubek explicaram
que já não bebiam. Foi ali que entendemos o guaraná da noite anterior. Pequena
frustração que logo se transformou em admiração.
Passamos
o dia inteiro com a banda. Phil McCormack, John Galvin, Bobby Ingram, Dave
Hlubek, Tim Lindsey e Shawn Beamer demonstraram atenção, respeito e generosidade raras.
Falamos sobre a história da banda, sobre conflitos com fãs mais puristas, sobre
a responsabilidade de carregar um nome histórico e sobre o orgulho de manter a
música viva. Segundo Dave, o Molly Hatchet não era apenas uma banda, era uma
lenda em movimento.
Uma
curiosidade marcante daquele dia foi perceber que, mesmo dividindo hotel com
grandes nomes do festival, como o Twisted Sister, praticamente não havia fãs do
Molly Hatchet ali. Apenas nós três. Alguns curiosos tiravam fotos, mas sem
entender o peso histórico daqueles músicos. Aquilo dizia muito sobre o
desconhecimento do Southern Rock no Brasil naquele momento e, ao mesmo tempo,
reforçava a importância do trabalho que o site vinha fazendo desde 2000.
O
show daquela noite foi intenso, energético e emotivo. A banda entregou
clássicos, conexão com o público e um espetáculo digno da própria história.
Após o festival, voltamos ao hotel onde Bobby Ingram e Phil McCormack
concederam uma entrevista mais formal conduzida por Mauro Villaboim Garcia, cujo
domínio do inglês permitiu uma conversa aprofundada sobre os primórdios da
banda, as capas medievais dos discos, a permanência do grupo ao longo das
décadas e o próprio sentido de continuidade da história do Molly Hatchet. Uma
entrevista que, quem sabe, ainda verá a luz do dia.
Foi
ali, naquela madrugada, que a cobertura se completou. Não era apenas um
registro de show. Era a documentação de um encontro entre estrada, memória e
paixão musical.
Hoje,
ao revisitar essa história, fica claro que encontros como aquele não pertencem
apenas ao passado. Eles ajudam a explicar por que o site retorna agora com a
mesma missão de antes, preservar memórias, registrar presenças e continuar
servindo como ponte entre artistas e público. O Southern Rock vive de estrada, de
encontros e de continuidade. E enquanto houver música, haverá novas histórias a
serem contadas.
BOBBY INGRAM
Conhecer
Bobby Ingram foi ter contato direto com um dos principais responsáveis por
manter o MOLLY HATCHET vivo ao longo das últimas décadas. Como guitarrista e
líder da banda, ele carrega consigo não apenas a responsabilidade musical, mas
também a missão de preservar a história de um dos nomes mais importantes do
Southern Rock.
Nos
bastidores em São Paulo, mostrou-se extremamente simpático, acessível e
generoso com seu tempo. Mesmo após uma longa viagem vindo da Europa, fez
questão de conversar conosco por horas, relembrando histórias da banda, falando
com respeito sobre Danny Joe Brown e refletindo sobre o significado de manter o
legado do MOLLY HATCHET ativo nas estradas.
O
que mais chama atenção em Bobby Ingram é justamente essa consciência histórica.
Ele entende que o MOLLY HATCHET é mais do que uma banda em atividade; é uma
instituição dentro do Southern Rock.
Encontrá-lo
foi perceber que, além de um grande guitarrista, ele é também um verdadeiro
guardião dessa história.
PHIL MCCORMACK
Conhecer
Phil McCormack foi encontrar uma das vozes mais marcantes da fase moderna do
MOLLY HATCHET. Dono de um vocal poderoso e cheio de personalidade, Phil
carregava no palco a energia e a intensidade que sempre foram características
do Southern Rock.
Nos
bastidores em São Paulo, mostrou-se extremamente simpático, bem-humorado e
acessível. Conversava com naturalidade, como se estivéssemos entre velhos
conhecidos, demonstrando um respeito enorme pelos fãs e por quem acompanha a
trajetória da banda.
Phil
tinha orgulho de fazer parte da história do MOLLY HATCHET e falava com
entusiasmo sobre a responsabilidade de manter vivo o nome de uma das bandas
mais importantes do gênero. Sua presença transmitia exatamente isso: paixão
pela música, pela estrada e pela continuidade daquele legado.
DAVE HLUBEK
Conhecer
Dave Hlubek foi estar frente a frente com um dos arquitetos originais do MOLLY
HATCHET. Como fundador da banda e responsável por boa parte da identidade
musical do grupo, seu nome está diretamente ligado à construção de alguns dos
momentos mais marcantes do Southern Rock.
Nos
bastidores em São Paulo, mostrou-se tranquilo, acessível e muito consciente do
peso histórico que carregava. Em vários momentos da conversa, deixava claro que
o MOLLY HATCHET não era apenas uma banda em atividade, mas uma verdadeira lenda
construída ao longo de décadas de estrada.
Hlubek
falava com orgulho da trajetória do grupo e da importância de manter aquela
música viva para novas gerações de fãs. Era evidente que ele enxergava o MOLLY
HATCHET como algo maior do que qualquer formação específica.
Hoje,
com sua partida em 2017, fica a certeza de que Dave Hlubek deixou uma marca
definitiva na história do Southern Rock e no legado que o MOLLY HATCHET
continua representando.
JOHN GALVIN
Conhecer
John Galvin foi perceber a importância de um músico que, muitas vezes longe dos
holofotes, ajudou a construir a sonoridade marcante do MOLLY HATCHET ao longo
de décadas. Como tecladista da banda desde os anos 80, Galvin foi responsável
por acrescentar camadas melódicas e texturas que enriqueceram ainda mais o peso
e a identidade do grupo.
Nos
bastidores em São Paulo, mostrou-se extremamente educado, tranquilo e muito
receptivo. Conversava com simplicidade, demonstrando um profundo respeito pela
história da banda e pelo público que mantém essa música viva.
Galvin
parecia representar aquele tipo de músico que entende perfeitamente seu papel
dentro de um conjunto maior: contribuir com talento e dedicação para fortalecer
uma identidade musical que atravessa gerações.
Encontrá-lo
foi mais uma prova de que o MOLLY HATCHET sempre foi formado por músicos
comprometidos não apenas com a música, mas também com a continuidade de um
legado dentro do Southern Rock.
TIM LINDSEY
Conhecer
Tim Lindsey foi estar diante de um daqueles músicos que representam a espinha
dorsal de qualquer grande banda de rock. Como baixista do MOLLY HATCHET por
muitos anos, Lindsey ajudou a sustentar com firmeza a base rítmica que sempre
deu peso e identidade ao som da banda.
Nos
bastidores em São Paulo, mostrou-se um sujeito tranquilo, simpático e bastante
acessível. Conversava com naturalidade, sempre demonstrando respeito pelos fãs
e pela história que carregava ao fazer parte de uma das bandas mais importantes
do Southern Rock.
No
palco, sua presença era sólida e segura, exatamente como se espera de um
baixista que conhece profundamente o papel que exerce dentro de um grupo com a
tradição do MOLLY HATCHET.
Encontrá-lo
foi perceber que, além das guitarras e dos vocais marcantes, o legado da banda
também se sustenta sobre músicos que mantêm a base firme, noite após noite,
estrada após estrada.
SHAWN BEAMER
Conhecer
Shawn Beamer foi observar de perto a força rítmica que impulsiona o MOLLY
HATCHET nas estradas. Como baterista da banda, Beamer desempenha um papel
fundamental em manter a energia e o peso característicos que sempre marcaram o
som do grupo.
Nos
bastidores em São Paulo, mostrou-se simpático, acessível e muito tranquilo no
trato com os fãs. Era daqueles músicos que conversam com naturalidade, sem
qualquer tipo de estrelismo, demonstrando o respeito que a banda sempre teve
por quem acompanha sua trajetória.
No
palco, sua bateria segura e consistente ajudava a conduzir a banda com firmeza,
sustentando clássicos que fazem parte da história do Southern Rock.
Encontrá-lo
foi perceber que, por trás da potência do MOLLY HATCHET, existem músicos
comprometidos em manter viva a energia que sempre fez da banda uma verdadeira
máquina de estrada.
Na
Estrada com uma Lenda.
Depois
de um dia inteiro convivendo com os integrantes do MOLLY HATCHET em São Paulo,
uma coisa ficou muito clara para mim: algumas bandas não são apenas grupos de
músicos que sobem ao palco para tocar. Elas representam uma história, um
espírito e uma tradição que atravessa gerações.
Ao
longo daquele encontro, foi possível perceber algo que muitas vezes o público
não enxerga apenas ouvindo os discos. Por trás do peso das guitarras, das capas
épicas dos álbuns e dos clássicos que marcaram o Southern Rock, existem pessoas
simples, acessíveis e profundamente conscientes da história que carregam.
Conversar
com Bobby Ingram, Phil McCormack, Dave Hlubek, John Galvin, Tim Lindsey e Shawn
Beamer foi muito mais do que conhecer músicos de uma banda lendária. Foi
testemunhar de perto a continuidade de um legado que começou décadas atrás e
que ainda segue vivo nas estradas.
O
MOLLY HATCHET sempre foi sinônimo de intensidade, de estrada e de paixão pela
música. E naquele dia, entre conversas, histórias e momentos compartilhados,
ficou evidente que esse espírito continua existindo muito além dos palcos.
Para
quem acompanha essa música com o coração, encontros como esse não são apenas
lembranças. São confirmações de que o Southern Rock continua vivo, não apenas
nos discos, mas nas pessoas que dedicaram suas vidas a mantê-lo pulsando.
E
para mim, como fã e como alguém que há anos tenta manter essa chama acesa
através do Southern Rock Site Brazil, aquele encontro foi mais uma prova de que
algumas histórias simplesmente nunca deixam de ser escritas.
















