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Drivin' Sideways

 


A relação entre Southern Rock e automobilismo norte-americano ganhou uma expressão particular na segunda metade dos anos 1990 com a Drivin' Sideways, projeto criado pelo guitarrista e compositor Mike Estes depois de sua passagem pelo Lynyrd Skynyrd. Em vez de organizar o repertório em torno das temáticas tradicionais do Rock sulista, Estes encontrou nas corridas da NASCAR um universo capaz de reunir guitarras, Country, histórias de pilotos e a cultura popular dos estados do Sul. O resultado foi um álbum homônimo lançado em 1997, que permaneceu como o principal registro fonográfico do grupo.

A trajetória de Mike Estes na música havia começado muito antes. Durante os anos 1980, o guitarrista integrou a Helen Highwater, banda que percorreu o circuito de clubes e dividiu apresentações com artistas de Southern Rock e Outlaw Country. O nome Helen Highwater havia sido sugerido por Allen Collins, guitarrista do Lynyrd Skynyrd, grupo com o qual Estes desenvolveria uma relação profissional ao longo dos anos seguintes.

O contato com músicos ligados ao Lynyrd Skynyrd remontava a 1982, quando Estes ainda estava no ensino médio. Com a retomada das atividades do grupo em 1987, a Helen Highwater chegou a participar de apresentações como banda de abertura. A aproximação continuou durante os primeiros anos da década de 1990, período em que Estes passou a apresentar composições aos integrantes do Skynyrd e a participar de atividades relacionadas ao grupo.

Em 1993, assinou um contrato editorial com a empresa de Ed King, guitarrista do Lynyrd Skynyrd. No ano seguinte, recebeu de Gary Rossington o convite para ocupar a vaga deixada por Randall Hall. A entrada de Estes representou a concretização de uma ligação construída durante anos, permitindo que o músico participasse diretamente de uma das principais bandas da história do Southern Rock.

Sua permanência, entretanto, foi relativamente curta. Depois de um período de turnês e atividades de composição, diferenças profissionais contribuíram para sua saída. Durante essa fase, Estes também havia desenvolvido interesse pelas corridas de automóveis, especialmente pelo universo da NASCAR, modalidade profundamente associada à cultura do Sul dos Estados Unidos.

Essa aproximação ganhou força com White Knuckle Ride, composição realizada em parceria com Gary Rossington e Johnny Van Zant para um projeto relacionado ao automobilismo. A experiência ajudou a estabelecer a ligação entre as duas atividades e ofereceu a Estes uma direção para o trabalho que desenvolveria depois de deixar o Lynyrd Skynyrd.

A Drivin' Sideways nasceu dessa combinação de experiências. Com base em Nashville, Tennessee, o projeto reuniu o conhecimento musical acumulado por Estes no Southern Rock e sua aproximação com o ambiente das corridas. A proposta não consistia apenas em mencionar carros ou velocidade dentro de músicas de Rock, o repertório foi organizado em torno de personagens, competições, tradições e situações reconhecíveis para o público da NASCAR.

O álbum Drivin' Sideways chegou em 1997, reunindo dez músicas. O lançamento apresentou uma abordagem que transitava entre Southern Rock e Country Rock, com composições voltadas ao cotidiano das pistas e à identificação cultural dos torcedores. A ligação com o automobilismo ultrapassou o conteúdo musical: o disco recebeu autorização da NASCAR, enquanto parte da arrecadação foi destinada à Speedway Children's Charities, organização beneficente ligada ao universo das corridas.

A gravação foi realizada no Quad Studios, em Nashville, com produção, engenharia de som e mixagem assinadas por Howard Steele e Mike Estes. A mixagem ocorreu no Village Productions, em Toronto, Canadá, com assistência de Bobby Torres, enquanto a masterização ficou a cargo de Benny Quinn, no Masterphonics, em Nashville. O álbum foi lançado pela Eagle Records, conforme os créditos impressos na edição de 1997.

A formação registrada no disco reuniu Mike Estes nos vocais principais, guitarras elétricas e acústicas e guitarra de seis cordas; Randy Peak nas guitarras elétrica e slide, além dos vocais de apoio; Bird no baixo e vocais de apoio; e Jim Jerness na bateria e vocais de apoio. A estrutura instrumental manteve as guitarras no centro da sonoridade, com uma base rítmica capaz de sustentar a aproximação entre Rock sulista e Country.

O projeto também contou com participações especiais. Ed King, antigo companheiro de Estes no Lynyrd Skynyrd, gravou a guitarra solo de The Ballad of Junior Johnson. Steve “Boxcar” Traum participou com harmônica em Yellow Flag Blues, enquanto Barry Walsh acrescentou piano e órgão Hammond B3. Debbie Estes contribuiu com vocais de apoio, ampliando os recursos vocais presentes no álbum.

A divulgação acompanhou a proposta temática. O grupo recebeu espaço em programas de televisão e veículos especializados, incluindo atrações relacionadas à NASCAR, e suas músicas circularam em rádios voltadas ao público Country. What Else Would I Do On Sunday foi trabalhada como música de divulgação, alcançando programas radiofônicos e emissoras regionais norte-americanas.

A abertura do disco, NASCAR Diehards, estabelecia imediatamente o tema central do projeto. Outras composições, como Asphalt Angels, That's Just Racin', Racetrack Romance e Yellow Flag Blues, exploravam diferentes aspectos das competições, utilizando referências que faziam parte do vocabulário e da experiência dos frequentadores dos autódromos.

O repertório também homenageava figuras reconhecidas da história do automobilismo. The Intimidator fazia referência a Dale Earnhardt, piloto cuja personalidade competitiva lhe rendeu o apelido que dá título à música. The Ballad of Junior Johnson prestava homenagem a outro personagem fundamental da NASCAR, enquanto The Iceman e Boy Wonder ampliavam a presença desse universo no álbum.

A ligação de Estes com o Lynyrd Skynyrd continuou presente no projeto por meio da participação de Ed King. Seu solo em The Ballad of Junior Johnson estabeleceu uma conexão direta entre a Drivin' Sideways e uma das principais formações do Southern Rock. A presença do guitarrista também reforçou a continuidade das relações profissionais construídas por Estes durante sua passagem pelo grupo.

Musicalmente, o disco ocupava um espaço particular dentro do Southern Rock dos anos 1990. O peso das guitarras e a experiência de Estes no gênero conviviam com estruturas de Country e com um repertório inteiramente orientado ao automobilismo. A associação fazia sentido dentro da cultura norte-americana, especialmente nos estados em que as corridas da NASCAR e a música sulista compartilhavam públicos e referências históricas.

O lançamento recebeu diferentes registros fonográficos e comerciais ao longo dos anos. A edição original está associada a 1997 e à Eagle Records, enquanto catálogos posteriores também identificam uma edição em CD pela XLR8R Records em 2002. A existência de um registro comercial posterior não significa necessariamente que o álbum tenha sido novamente gravado, nem comprova isoladamente uma segunda prensagem, trata-se do mesmo repertório, cuja circulação física já estava estabelecida antes de 2002.

A Drivin' Sideways não desenvolveu uma discografia extensa. O álbum homônimo permaneceu como seu único trabalho completo amplamente documentado, enquanto Mike Estes prosseguiu sua carreira em outras formações. Posteriormente, o guitarrista trabalhou com o Blackfoot e consolidou sua atividade no Skinny Molly, banda que o manteria ligado ao Southern Rock e aos circuitos de apresentações nos Estados Unidos e na Europa.

A existência de um único álbum não diminui a importância documental da Drivin' Sideways dentro da trajetória de Estes. O projeto registra uma etapa específica entre sua passagem pelo Lynyrd Skynyrd e os trabalhos posteriores, demonstrando como um músico identificado com o Southern Rock encontrou no automobilismo uma oportunidade de desenvolver repertório autoral com características próprias.

Lançado num período em que o gênero atravessava transformações e novas gerações de músicos buscavam diferentes formas de preservar suas referências, Drivin' Sideways representa uma ligação direta entre música, esporte e cultura regional. O álbum permanece como registro de uma experiência que aproximou o Southern Rock da NASCAR não apenas pela afinidade entre seus públicos, mas pela decisão de transformar as pistas, os pilotos e as corridas no centro de um trabalho musical completo.

Formação documentada no álbum

Mike Estes: vocais principais, guitarras elétricas e acústicas, guitarra de seis cordas
Randy Peak: guitarra elétrica, guitarra slide e vocais de apoio
Bird: baixo e vocais de apoio
Jim Jerness: bateria e vocais de apoio

Participações especiais

Ed King: guitarra solo em The Ballad of Junior Johnson
Steve “Boxcar” Traum: harmônica em Yellow Flag Blues
Barry Walsh: piano e órgão Hammond B3
Debbie Estes: vocais de apoio

Produção

Howard Steele e Mike Estes: produção, engenharia de som e mixagem
Quad Studios, Nashville, Tennessee: gravação
Village Productions, Toronto, Canadá: mixagem
Bobby Torres: assistência de mixagem
Benny Quinn: masterização no Masterphonics, Nashville, Tennessee

Discografia

1997 - Drivin' Sideways (Eagle Records)

Edição posterior catalogada

2002 - Drivin' Sideways (XLR8R Records)