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Do Southern Rock à mesa sulista

 


A paixão pela música que despertou minha curiosidade pelos sabores, costumes e tradições do sul dos Estados Unidos.

por Renato Martins São Pedro

Quando o assunto é comida, não consigo deixar de pensar no sul dos Estados Unidos. Quem acompanha o Southern Rock há tantos anos acaba desenvolvendo uma curiosidade que vai muito além das bandas e dos discos. Pois é, eu sou assim.

A gente começa conhecendo o Lynyrd Skynyrd, o Allman Brothers Band, o Molly Hatchet, o Marshall Tucker Band, o ZZ TOP etc. Depois, passa a prestar atenção nas cidades de onde vieram, nos lugares onde tocaram, nas estradas que percorreram e nos costumes que fazem parte deste universo.

Comigo aconteceu assim. A música veio primeiro, mas a curiosidade não ficou restrita aos discos. E boa parte da “culpa” é do saudoso Michael Buffalo Smith, da também saudosa Gritz Magazine! Foi depois de ler uma matéria dele na versão online da revista, sobre a cultura do sul americano, que comecei a me interessar também pela gastronomia daquela região. E a balança, claro, não agradeceu nada!

Agora, vamos combinar uma coisa: como sou gordinho desde sempre e nunca dispensei uma boa comida, também não precisei de muito incentivo! Foi unir o útil ao agradável! E, a partir daí, fui conhecendo melhor os pratos típicos, as tradições e as particularidades de uma culinária que tem tanta história quanto variedade.

Uma costela defumada, um belo brisket texano, frango frito, gumbo da Louisiana, pratos da culinária Tex-Mex... Só de falar já dá fome! E o mais legal é que cada região tem suas especialidades, seus temperos e suas maneiras de preparar os alimentos. O churrasco do Texas não é igual ao das Carolinas, assim como a comida da Louisiana tem características muito próprias.

Essa relação entre a música e o lugar onde ela nasceu eu acho muito legal. Quando conhecemos melhor uma região, começamos a perceber que suas tradições estão presentes em muitos aspectos da vida cotidiana. Na maneira de cozinhar, de reunir a família, de receber os amigos, de celebrar e de preservar costumes que passam de uma geração para outra.

Não precisamos conhecer a culinária americana para entender Southern Rock, mas acho muito bacana quando uma paixão musical desperta um interesse mais amplo. Bom, cada um é cada um.

Sempre gostei de conhecer os lugares ligados às bandas, as histórias dos músicos e os ambientes onde aquela música fazia parte do cotidiano. E fui descobrindo outras coisas que também despertaram minha curiosidade.

O sul dos Estados Unidos tem uma cultura muito rica, com grandes diferenças entre seus estados e cidades. Penso muito nisso e não reduzo tudo à imagem de guitarras, motocicletas, estradas e bares. Esses elementos fazem parte desse universo, mas estão longe de contar a história inteira.

É uma relação bastante natural. A música nos aproxima de lugares que nunca visitamos, apresenta costumes diferentes dos nossos e desperta uma curiosidade que pode continuar crescendo durante muitos anos. E cada descoberta acrescenta algo à maneira como enxergamos todo esse universo que é realmente incrível.

O Southern Rock continua sendo, acima de tudo, a música, mas é muito bom saber que existe um mundo inteiro de histórias, pessoas e tradições ao redor dela.

E agora vou confessar uma coisa: depois de falar tanto em costela, brisket e frango frito, fiquei com uma vontade danada de preparar um belo jantar! Se tiver um bom rock tocando e gente querida por perto, melhor ainda.

E olha que nem falei de um bom hambúrguer, hein?