A parceria entre Jim Peterik e o .38 Special
mostrou que tradição e modernidade podiam caminhar juntas sem apagar as raízes
que definiam a identidade da banda.
Por Renato Martins São Pedro
Conversando com um amigo completamente apaixonado
pelo Survivor, minha cabeça foi parar em outro lugar. A música sempre me faz
viajar. Bastou o nome da banda aparecer na conversa para eu lembrar
imediatamente de Jim Peterik e de uma história que muita gente desconhece. Para
milhões de fãs, ele sempre será lembrado como o compositor de “Eye of the
Tiger”, um dos grandes nomes do AOR americano. Para quem acompanha o Southern
Rock de perto, porém, o nome dele também ocupa um espaço importante na
trajetória do .38 Special.
Quando o .38 Special decidiu ampliar seus horizontes sem abandonar
completamente as raízes, Jim Peterik passou a colaborar diretamente com Don
Barnes e Donnie Van Zant. Dessa
parceria nasceram músicas como Rockin’ Into the Night, Hold On Loosely, Fantasy
Girl, Caught Up in You, If I’d Been the One, Back Where You Belong e tantas
outras que ajudaram a transformar a banda em um dos maiores sucessos do rock
americano durante os anos 1980. O Southern Rock continuava presente, mas agora
caminhava de mãos dadas com melodias mais acessíveis, refrões fortes e uma
produção que aproximava o grupo das rádios FM.
Essa fase do .38 Special nunca soou como uma mudança de identidade. O DNA da
banda continuava ali, nas guitarras, na forma de cantar e naquela sensação de
estrada presente praticamente em toda a discografia. Jim Peterik não mudou o
.38 Special. Apenas acrescentou outra perspectiva, provando que boas ideias não
conhecem fronteiras e que estilos musicais podem conversar entre si sem abrir
mão da própria personalidade.
Esse sempre foi um dos aspectos que mais me fascinaram no Southern Rock. O
estilo jamais se fechou dentro de uma cerca imaginária, cresceu ouvindo Blues,
Country, Soul, Gospel, Hard Rock e também o AOR quando isso fazia sentido. É só
colocar essas músicas para tocar e perceber que não existe ruptura entre um
caminho e outro, o espírito continua exatamente o mesmo, o DNA permanece ali,
apenas vestido com uma roupa diferente.
Isso mostra que o Rock sempre foi muito maior do que os rótulos que tentam
impor a ele. Jim Peterik escreveu páginas inesquecíveis ao lado do Survivor,
mas também deixou sua assinatura em um dos períodos mais marcantes da carreira
do .38 Special. Quando músicos talentosos se encontram, o resultado fala mais
alto do que qualquer etiqueta.
A música nunca se preocupou com fronteiras,
sempre preferiu reunir pessoas, ideias e influências para criar algo que
nenhuma delas conseguiria construir sozinha.









