Em uma pequena cidade do Alabama, músicos de
diferentes origens transformaram Blues, Soul, Gospel, Country e Rock em uma
linguagem capaz de atravessar barreiras e marcar para sempre a história da
música americana.
Por Renato Martins São
Pedro
Existe algo quase inexplicável em Muscle Shoals.
Uma cidade pequena no Alabama que, olhando de fora, parece apenas mais um ponto
perdido no mapa do sul dos Estados Unidos, mas que acabou se transformando em
um dos lugares mais importantes da história da música americana, pois Muscle
Shoals não criou apenas discos, criou sentimento.
Foi ali, dentro de estúdios simples, longe do glamour de Los Angeles ou Nova
York, que músicos brancos e negros se encontraram para criar algumas das
gravações mais emocionantes já feitas dentro do Soul, Blues, Country, Gospel, Southern
Rock e Rock And Roll. E isso torna Muscle Shoals tão
especial até hoje, a verdade da música, sem personagem, sem excesso e sem
artificialidade, só músicos tocando com alma.
Aretha Franklin encontrou
ali uma força absurda para sua música e Wilson Pickett gravou
clássicos históricos naquele ambiente. Foi em Muscle Shoals
que Duane Allman começou
a chamar atenção do mundo inteiro antes mesmo do The Allman Brothers Band explodir
definitivamente. A guitarra dele já carregava aquela mistura perfeita de Blues,
Soul, Gospel e improviso emocional que ajudaria a moldar o Southern Rock dali
em diante.
E quando ouvimos bandas como Lynyrd Skynyrd, The Alman Brothers
Band, Wet Willie, Blackfoot, Molly Hatchet, The Outlaws ou The Marshall
Tucker Band,
existe um pouco daquela atmosfera ali também, porque o Southern Rock nunca
nasceu apenas do Rock, nasceu do Gospel das igrejas sulistas, do Blues das
comunidades negras americanas, do Country das estradas e do Soul gravado em
lugares como Muscle Shoals. E esse estilo soa tão humano até hoje, pois Muscle
Shoals não era apenas um estúdio, era um encontro de culturas, dores, fé,
amizade e música verdadeira.
O mundo moderno jamais conseguirá fabricar algo assim novamente.










