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Don Barnes

 


A história de Don Barnes está profundamente ligada à história do Southern Rock de Jacksonville. Nascido em 3 de dezembro de 1952, Barnes foi um dos fundadores do .38 Special, ao lado de Donnie Van Zant, e rapidamente se tornou uma das principais vozes da banda. Guitarrista, vocalista e compositor, foi sua voz que esteve à frente de grande parte dos maiores sucessos do grupo, incluindo Rockin' into the Night, Hold On Loosely, Caught Up in You, If I'd Been the One e Back Where You Belong.

O .38 Special nasceu em Jacksonville em 1974, justamente dentro daquele ambiente musical que já havia produzido Lynyrd Skynyrd e que transformaria a cidade em um dos grandes centros do Southern Rock. Barnes construiu sua identidade dentro da banda ao lado de Donnie Van Zant, mas sua voz ajudaria a levar o grupo para uma direção que aproximava o Southern Rock do Hard Rock e, posteriormente, do AOR. Quando o .38 Special alcançou seu grande momento comercial no início dos anos 1980, Barnes já era uma de suas figuras fundamentais.

Depois de Strength in Numbers, de 1986, entretanto, Barnes decidiu deixar o .38 Special. Sua saída aconteceu em 1987, justamente quando a banda começava a experimentar uma direção mais voltada ao Rock de arena e ao mercado adulto contemporâneo. Para substituí-lo, o grupo recrutou Max Carl, enquanto Danny Chauncey também entrou para a nova formação. Barnes, por sua vez, recebeu da própria A&M Records a oportunidade de desenvolver um projeto solo.

A oportunidade era especialmente interessante porque a gravadora não estava simplesmente propondo que Barnes repetisse o .38 Special sozinho. A&M financiou o projeto e permitiu que ele escolhesse os músicos com quem gostaria de trabalhar. Barnes também participaria da composição e da produção. O resultado foi um álbum gravado em 1989, com uma equipe de músicos de estúdio que impressiona até hoje: Jeff Porcaro na bateria e Mike Porcaro no baixo, ambos do Toto, Denny Carmassi, do Heart, Dann Huff nas guitarras e Alan Pasqua nos teclados. Martin Briley e Brian Foraker dividiram com Barnes as responsabilidades de produção.

O projeto recebeu o nome de Ride the Storm e estava pronto para ser lançado. Só que a carreira solo de Don Barnes acabou sendo vítima de algo que não tinha absolutamente nada a ver com música. A A&M Records foi vendida durante o processo de transição corporativa, e o projeto acabou abandonado pela nova estrutura da gravadora. O álbum estava gravado, mixado e pronto, mas ficou preso no limbo.

E assim começou uma das histórias mais curiosas da carreira de Barnes. O disco que deveria representar sua estreia solo em 1989 simplesmente desapareceu. Durante anos, ele tentou recuperar o material e os direitos do projeto. Em entrevista posterior, contou que chegou a descobrir que as fitas master originais haviam sido destruídas, restando apenas cópias que permitiram recuperar o trabalho.

Enquanto Ride the Storm permanecia guardado, a carreira solo de Barnes praticamente ficou restrita àquele projeto. Ele não construiu uma segunda trajetória paralela ao .38 Special, nem transformou a saída da banda em uma longa carreira independente. O que existiu foi aquele momento específico de 1987 a 1992, quando Barnes tentou descobrir o que poderia fazer fora da banda que ajudara a fundar. E a resposta acabou ficando registrada em um álbum que ninguém pôde ouvir oficialmente durante quase três décadas.

Em 1992, Don Barnes voltou ao .38 Special. A reunião encerrou aquela breve experiência de independência e recolocou o vocalista em sua antiga posição. Desde então, ele permaneceu ligado à banda, retomando uma história que havia começado em Jacksonville quase duas décadas antes.

Foi somente em 2017 que Ride the Storm finalmente chegou ao público, lançado pela MelodicRock Records. Vinte e oito anos haviam passado desde sua gravação. A edição recuperou o material original e acrescentou gravações demo e mixes alternativos, permitindo que aquele projeto que havia nascido no auge da carreira de Barnes finalmente deixasse o arquivo.

Isso faz da carreira solo de Don Barnes uma história bastante diferente da trajetória tradicional de um músico que abandona uma banda de sucesso para tentar construir seu próprio nome. Ele saiu do .38 Special, recebeu uma oportunidade concreta de uma grande gravadora, reuniu alguns dos melhores músicos disponíveis naquele momento, gravou seu álbum e, quando tudo estava pronto, viu o projeto desaparecer por razões corporativas.

Depois, voltou para casa.

O .38 Special continuou sendo sua principal história, mas Ride the Storm permaneceu como um registro de uma porta que Don Barnes chegou a abrir e que o mercado fonográfico fechou antes que ele pudesse atravessá-la.

Por isso que a breve carreira solo de Don Barnes seja tão interessante. Ela não representa uma tentativa fracassada de abandonar o Southern Rock, representa um momento em que um dos grandes vocalistas do gênero teve a oportunidade de mostrar o que poderia fazer sozinho, cercado por músicos extraordinários, antes que uma mudança de endereço numa sala de executivos interrompesse tudo.

Quase três décadas depois, aquela história finalmente voltou à luz.

Discografia solo

2017 Ride the Storm
Gravado em 1989 e lançado originalmente somente em 2017.