No Southern Rock,
duas ou três guitarras nunca foram apenas uma escolha de formação. Elas criaram
diálogos, construíram identidades e transformaram seis cordas em uma das
linguagens mais marcantes da história do Rock.
Por Renato Martins São Pedro
O que sempre me fascinou no Southern
Rock é que as guitarras raramente são usadas apenas para tocar riffs ou
preencher espaços. Elas conversam, duelam, se perseguem e contam histórias.
Enquanto boa parte do rock apostava na figura de um único guitarrista solando à
frente da banda, o Southern Rock criou uma identidade própria. Em muitos casos,
duas ou três guitarras dividiam o protagonismo ao mesmo tempo. Não era uma
disputa de egos, e sim uma construção coletiva de som. É só ouvir os diálogos
criados por Duane Allman e Dickey Betts no TheAlman Brothers Band, ou
os ataques coordenados de Gary Rossington, Allen Collins e Ed King no Lynyrd
Skynyrd.
Cada guitarra ocupava seu espaço, mas juntas formavam uma muralha sonora
impossível de confundir com qualquer outro estilo.
E o interessante é que essas guitarras carregavam origens diferentes. Algumas
vinham diretamente do blues, outras tinham o sabor do country, dos velhos
saloons, das estradas e dos campos do sul dos Estados Unidos. Quando tudo isso
se encontrava, surgia aquele som cortante, melódico e agressivo na medida certa
que se tornou uma das marcas registradas do Southern Rock. Décadas depois,
ainda existe algo de arrebatador quando os primeiros acordes de “Jessica”,
“Green Grass and High Tides” ou “Free Bird” começam a soar. Não estamos ouvindo
apenas guitarras, estamos ouvindo músicos que transformaram seis cordas em uma
linguagem própria.
E poucas linguagens no rock são tão emocionantes
quanto um verdadeiro ataque de guitarras sulistas.










