A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

ZZ Top - Anthology 1970-2012 (2014)

 


ZZ Top

Anthology 1970-2012

Uma coletânea idealizada pelo Southern Rock Site Brazil em 2014


Nota editorial | Southern Rock Site Brazil

As resenhas publicadas pelo Southern Rock Site Brazil sempre analisam álbuns oficialmente lançados pelas bandas que ajudaram a construir a história do Southern Rock, do Classic Rock e de seus gêneros relacionados. Esta publicação representa uma exceção.

Anthology 1970-2012 nunca foi lançada comercialmente. Trata-se de uma coletânea idealizada por Renato Martins São Pedro em 2014, produzida exclusivamente para uso pessoal, sem qualquer finalidade comercial e sem vínculo oficial com a ZZ Top ou sua gravadora.

Mais do que analisar um disco, esta resenha documenta a história de um projeto editorial criado por um jornalista, colecionador e apaixonado pela música produzida no sul dos Estados Unidos. Seu objetivo é registrar os critérios de curadoria que deram origem à coletânea e mostrar como uma simples ideia acabou se transformando em um documento de preservação da trajetória de uma das maiores bandas da história do Rock.


ZZ Top - Anthology 1970-2012

Nunca gostei de coletâneas.

Pode parecer contraditório começar uma resenha justamente dessa maneira, mas essa sempre foi minha relação com esse tipo de lançamento. Durante toda a vida como colecionador, aprendi a enxergar cada álbum como uma obra completa, construída para ser ouvida exatamente na sequência imaginada pelos músicos e produtores. É ali que uma banda revela sua identidade, estabelece o ritmo da audição e apresenta um retrato fiel daquele momento específico de sua carreira.

As coletâneas, quase sempre, seguem um caminho diferente. Reúnem apenas os maiores sucessos, ignoram discos fundamentais, deixam músicas incríveis pelo caminho e reduzem décadas de trabalho a uma seleção previsível de faixas. Funcionam como porta de entrada para novos ouvintes, mas raramente conseguem representar a verdadeira dimensão artística de uma banda.

Foi justamente essa inquietação que deu origem a Anthology 1970-2012.

Ela não nasceu porque faltavam coletâneas do ZZ Top nas lojas, nasceu porque nenhuma delas contava a história da banda da maneira como eu acreditava que ela merecia ser contada.

Em 2014, depois de muitos anos ouvindo praticamente toda a discografia do trio texano, comecei a imaginar como seria a retrospectiva que eu gostaria de encontrar em uma loja de discos. Não pensei em vendas, estratégias de mercado ou tempo de duração para tocar no rádio. Pensei apenas na música, na trajetória construída por Billy Gibbons, Dusty Hill e Frank Beard ao longo de, até então, mais de quatro décadas. Queria reunir, em três CDs, não apenas os grandes clássicos, mas as músicas que realmente explicassem como o ZZ Top se tornou uma das bandas mais respeitadas da história do Rock americano. Naquele momento, o projeto parecia apenas uma ideia de colecionador. Pouco tempo depois, deixou de ser.

Resolvi apresentar essa proposta à gravadora responsável pelo catálogo da banda. A intenção era lançar oficialmente uma coletânea tripla sob o selo do Southern Rock Site Brazil, construída como uma verdadeira retrospectiva artística da carreira do ZZ Top, abrangendo o período entre 1970 e 2012. Não se tratava de uma seleção aleatória de sucessos, mas de um projeto editorial pensado para contar uma história. A história de uma banda que atravessou diferentes décadas sem jamais perder sua personalidade.

A resposta nunca chegou. O projeto, porém, nunca deixou de existir. Em vez de arquivá-lo em uma pasta do computador ou abandoná-lo como tantas ideias que ficam pelo caminho, decidi fazer exatamente aquilo que qualquer colecionador apaixonado faria, produzi o disco que eu sonhava ter na estante.

Conversei com um amigo muito querido, Edilson Bruschi, e pedi para ele desenvolver toda a identidade visual da coletânea. Acompanhei a criação do digipack e revisei cada detalhe gráfico até que o resultado correspondesse exatamente ao conceito imaginado desde o início. Pela primeira vez, aquela retrospectiva deixava de existir apenas no papel para se transformar em um objeto físico. Não havia qualquer intenção comercial. Também não existia a pretensão de competir com os lançamentos oficiais do ZZ Top. O objetivo era muito mais simples.

Materializar uma ideia.






Mas a embalagem era apenas o começo da história. A verdadeira essência desta Anthology 1970-2012 nunca esteve no projeto gráfico. Sempre esteve escondida onde poucas pessoas olhariam primeiro. Nas músicas. E, principalmente, na maneira como elas foram escolhidas. Porque montar uma retrospectiva do ZZ Top jamais poderia ser um exercício de popularidade. Precisava ser um exercício de memória, cada música precisava responder a uma única pergunta: ela ajuda a contar a história da banda? Se a resposta fosse positiva, encontrava naturalmente seu espaço. Se não fosse, permanecia fora, independentemente do sucesso alcançado nas rádios, nas paradas ou na MTV.

Foi exatamente esse princípio que guiou todas as decisões tomadas durante a criação dos três CDs. Os grandes clássicos aparecem porque conquistaram esse espaço naturalmente, mas caminham lado a lado com músicas que raramente recebem a mesma atenção e que, ainda assim, são fundamentais para compreender a evolução artística do ZZ Top. Em vez de construir uma sequência de sucessos, procurei construir uma narrativa. Cada faixa aponta para um momento específico da carreira, cada transição conduz a um novo capítulo e, quando a audição termina, a sensação é de ter percorrido quarenta e dois anos de história sem perceber o tempo passar.

Foi somente depois de concluir essa seleção que compreendi algo que não havia imaginado quando o projeto começou. Eu não estava montando uma coletânea. Estava preservando uma história. O som que eu sempre quis ouvir.

 


Existia, porém, uma decisão da qual eu jamais abriria mão. Esta coletânea utilizaria exclusivamente as mixagens originais dos álbuns clássicos do ZZ Top. Pode parecer um detalhe técnico para parte dos leitores, mas, para quem acompanha a trajetória fonográfica da banda, essa escolha representa muito mais do que uma simples preferência sonora.

Em 1987, a Warner Bros. reuniu os seis primeiros álbuns na caixa Six Pack. Em vez de apenas remasterizar aquelas gravações, optou por atualizar seu som. Novas mixagens foram produzidas, reverbs digitais foram acrescentados, parte da bateria recebeu tratamento eletrônico e diversos elementos aproximaram aqueles discos da estética sonora apresentada em Eliminator e Afterburner. Comercialmente, a decisão refletia o momento vivido pela banda. Artisticamente, porém, dividiu opiniões desde o primeiro dia.

Durante muitos anos, essas versões passaram a dominar o catálogo disponível em CD. Quem comprava Rio Grande Mud, Tres Hombres, Fandango! ou Tejas acreditava estar ouvindo exatamente os álbuns lançados na década de 1970, quando, na realidade, encontrava gravações profundamente modificadas em relação às edições originais. Como colecionador, isso sempre me incomodou. Não porque as novas mixagens fossem ruins, mas porque deixavam de representar fielmente o momento em que aqueles discos nasceram. As guitarras continuavam extraordinárias, a personalidade de Billy Gibbons permanecia intacta. Dusty Hill e Frank Beard continuavam sustentando uma das cozinhas mais sólidas da história do Rock. Ainda assim, algo havia mudado, a atmosfera.

Os primeiros discos do ZZ Top sempre me encantaram justamente pela naturalidade de sua gravação. Havia uma crueza elegante naqueles álbuns. O Blues respirava com liberdade, o Boogie parecia nascer espontaneamente e cada instrumento ocupava seu espaço sem qualquer excesso de produção. Era exatamente essa identidade que eu queria preservar.

Quando a caixa Original Album Series devolveu ao mercado as mixagens originais dos primeiros trabalhos da banda, tive a sensação de reencontrar velhos amigos. De repente, aqueles discos voltavam a soar exatamente como sempre deveriam ter soado. E foi somente naquele momento que compreendi que a Anthology 1970-2012 finalmente poderia existir da maneira como havia sido imaginada.

Ela seria construída sobre as gravações originais, sem adaptações, sem revisões e sem atualizações. Apenas o ZZ Top exatamente como registrou sua história e essa decisão acabou influenciando todo o restante do projeto.



A partir dali, cada música passou a ser escolhida não apenas por sua importância artística, mas também pela maneira como dialogava com as demais dentro da sequência dos três CDs.

Logo percebi que a maior dificuldade não estava em decidir quais músicas entrariam, a verdadeira dificuldade era aceitar aquelas músicas que inevitavelmente ficariam de fora... a discografia do ZZ Top é consistente demais para caber integralmente em três CDs.

Algumas ausências foram dolorosas, outras permaneceram até o último momento sobre a mesa, disputando espaço com músicas igualmente importantes. Não existia uma fórmula matemática capaz de resolver esse quebra-cabeça, cada decisão representava abrir mão de um pedaço da história para permitir que outro permanecesse. E foi nesse instante que deixei de pensar como colecionador, e sim editor.

Nunca organizei as faixas imaginando quantos sucessos cada disco deveria conter, nunca procurei distribuir as músicas de forma rigorosamente cronológica, preferi construir uma experiência de audição. Eu queria que cada CD tivesse personalidade própria, mas que os três funcionassem como capítulos de uma mesma viagem.

Quando uma música gravada nos anos 1980 aparece ao lado de outra registrada quase dez anos antes, essa aproximação nunca acontece por acaso, ela existe porque ambas ajudam a contar o mesmo capítulo da história. Essa preocupação consumiu muito mais tempo do que a criação da própria embalagem.

Passei dias reorganizando pequenas sequências, deslocando uma música de lugar, ouvindo novamente cada CD inteiro e recomeçando o trabalho sempre que alguma transição parecia interromper o fluxo da narrativa. Algumas mudanças pareciam insignificantes, e, na prática, transformavam completamente a audição. Bastava inverter duas faixas para que a viagem perdesse naturalidade. Em outros momentos, uma música que parecia perfeita isoladamente deixava de funcionar quando colocada ao lado de outra.

Foi um processo lento, trabalhoso, quase artesanal, muito mais próximo da montagem de um filme do que da elaboração de uma coletânea. Cada transição precisava parecer inevitável, cada encerramento de CD precisava despertar imediatamente a vontade de iniciar o seguinte. Quando finalmente encontrei esse equilíbrio, tive uma sensação curiosa. Não parecia que eu havia terminado uma seleção de músicas, parecia que eu havia terminado de escrever um roteiro. Foi somente depois dessa etapa que compreendi a verdadeira identidade da Anthology 1970-2012.

Ela nunca pretendeu resumir a carreira do ZZ Top, ela nasceu para convidar o ouvinte a percorrê-la. Essa diferença muda completamente a experiência. Uma coletânea tradicional costuma responder à pergunta: "quais são as músicas mais famosas desta banda? "Esta retrospectiva procura responder outra: “Como esta banda construiu uma das carreiras mais consistentes da história do Rock?" Foi essa pergunta que guiou cada decisão tomada ao longo do projeto, e continua guiando cada nova audição.

.



Uma viagem pela história do ZZ Top

A primeira audição completa desta Anthology 1970-2012 revelou algo que eu jamais havia planejado conscientemente durante sua montagem, os três CDs não se comportavam como uma coletânea, respiravam como um álbum.

Essa percepção surgiu de forma completamente natural. Em nenhum momento tive a impressão de estar ouvindo uma sequência de músicas retiradas de diferentes fases da carreira do ZZ Top, pelo contrário, a passagem entre os primeiros discos, o período de maior sucesso comercial e os trabalhos mais recentes acontece com uma fluidez surpreendente, como se todas aquelas gravações tivessem sido feitas para permanecer juntas desde o início. Esse foi o momento em que o projeto finalmente encontrou sua identidade.

Durante décadas, acostumei-me a ouvir a discografia exatamente como ela foi concebida, álbum após álbum. Ao reorganizar essas mesmas gravações sob uma nova perspectiva, comecei a perceber detalhes que nunca haviam chamado minha atenção com tanta clareza. A evolução da banda tornou-se mais evidente, a maturidade das composições passou a aparecer naturalmente, e até mesmo as mudanças de produção deixaram de parecer rupturas e passaram a soar como etapas inevitáveis de uma mesma caminhada. São quarenta anos preservando uma identidade tão sólida.

Billy Gibbons sempre foi imediatamente reconhecível pela maneira de tocar guitarra. Dusty Hill transformou linhas de baixo aparentemente simples em uma assinatura musical inconfundível. Frank Beard permaneceu durante toda a carreira como um dos bateristas mais elegantes do Rock, sustentando cada música com precisão absoluta, sem jamais tocar mais do que a própria música exigia. Cada álbum acrescentou um novo capítulo a essa história, nenhum apagou o anterior.

Eu nunca compreendi a necessidade de dividir a trajetória da banda entre uma "fase boa" e outra "fase ruim", como tantas vezes acontece entre fãs de bandas clássicas. Essa visão sempre me pareceu simplista, os primeiros discos apresentam uma banda profundamente ligada ao Blues texano, construindo uma identidade própria em meio ao cenário musical do início da década de 1970.

Tres Hombres representa o momento em que essa identidade alcança maturidade. Fandango! amplia os horizontes sem abandonar as raízes. Tejas encerra esse primeiro ciclo de maneira elegante, preparando o terreno para transformações que viriam naturalmente nos anos seguintes. Da mesma forma, Degüello, El Loco, Eliminator e Afterburner não representam uma ruptura, representam evolução. A eletrônica apareceu, os sintetizadores chegaram, a produção tornou-se mais sofisticada, mas bastavam poucos segundos para reconhecer que aquela continuava sendo a mesma banda formada em Houston no final da década de 1960.

Foi justamente essa continuidade que procurei preservar durante toda a montagem da coletânea, pois em nenhum momento existiu a intenção de transformar os anos 1970 em um pedestal inalcançável ou tratar os discos posteriores apenas como uma consequência do sucesso alcançado anteriormente. Não! isso jamais faria justiça à própria história da banda!

Recycler, Antenna, Rhythmeen, XXX, Mescalero e La Futura aparecem nesta retrospectiva porque pertencem à mesma trajetória, não ocupam espaço por uma questão cronológica, estão presentes porque ajudam a explicar como o grupo conseguiu se permanecer relevante durante mais de quatro décadas sem abrir mão de sua personalidade, e isso foi a maior descoberta proporcionada pela criação desta coletânea.

Quando as músicas passam a conversar entre si, deixam de representar apenas os respectivos álbuns de origem, representam uma vida inteira dedicada ao Rock. Isso muda completamente a audição, os grandes clássicos continuam emocionando, mas deixam de carregar sozinhos a responsabilidade de contar a história.

Músicas menos conhecidas assumem um protagonismo inesperado. Outras revelam nuances que, muitas vezes, permaneciam escondidas quando ouvidas apenas dentro do contexto dos discos originais. A narrativa deixa de pertencer a uma única faixa, passa a pertencer à própria banda.

É exatamente nesse momento que a Anthology 1970-2012 deixa de funcionar como uma coletânea. Ela se transforma em uma viagem que não procura chegar rapidamente aos momentos mais famosos da carreira, mas que faz questão de percorrer cada estrada, cada desvio e cada paisagem construída ao longo de quarenta e dois anos de música.

Esses três CDs nunca ocuparam, na minha coleção, o mesmo espaço reservado às demais coletâneas, eles nunca foram um ponto de chegada, sempre funcionaram como um ponto de partida. Toda vez que a última música termina, a vontade é sempre a mesma, levantar da cadeira, olhar para a estante, escolher um álbum do ZZ Top e recomeçar a viagem.



Os anos passaram, novos discos chegaram à coleção. Outros sonhos ocuparam espaço, a estante cresceu. O número de CDs aumentou. Vieram entrevistas, coberturas de shows, viagens, amigos feitos por causa da música e, naturalmente, o Southern Rock Site Brazil.

Muita coisa mudou desde aquele primeiro disco do ZZ TOP que entrou na minha coleção. Uma coisa, porém, permaneceu exatamente igual, a sensação de colocar um CD para tocar.

Quem nunca colecionou discos talvez encontre dificuldade para compreender isso. Uma coleção jamais foi apenas um conjunto de objetos organizados em prateleiras, cada álbum guarda um momento da vida, uma fase, uma descoberta, e, principalmente lembrança. Basta segurar uma capa nas mãos para que uma época inteira volte à memória com uma nitidez impressionante. Foi exatamente isso que aconteceu quando terminei a Anthology 1970-2012.

Naquele instante, percebi que aqueles três CDs diziam muito mais sobre mim do que eu imaginava. Eles contavam a história do ZZ TOP, mas contavam também a história de alguém que passou boa parte da vida procurando essas músicas em lojas de discos, sebos, catálogos importados e pequenas lojas espalhadas pelo Brasil. Contavam a história de quem aprendeu que colecionar nunca significou possuir, sempre significou preservar. Essa é a maior diferença entre um consumidor e um colecionador.

O consumidor compra um disco. O colecionador leva para casa um pedaço da própria vida. Foi por isso que nunca consegui enxergar esta coletânea apenas como uma seleção de músicas.

Ela acabou registrando outra viagem. A minha.

Sem perceber, cada decisão tomada durante sua montagem carregava décadas de convivência com a obra do grupo. As escolhas não nasceram de estatísticas, não nasceram de lembranças. E sim de tardes inteiras diante de uma vitrola, de noites ouvindo um CD até decorar cada detalhe das gravações, de viagens em que uma única música transformava completamente a paisagem vista pela janela.

No fundo, toda coleção acaba contando duas histórias ao mesmo tempo. A história da banda. E a história de quem decidiu acompanhá-la.

A Anthology 1970-2012 nunca precisou ser lançada oficialmente para fazer sentido, ela encontrou seu lugar exatamente onde sempre deveria estar, na estante. Ali, entre os álbuns originais do ZZ TOP, ela nunca tentou ocupar um espaço que não lhe pertencia. Pelo contrário. Sempre funcionou como uma porta de entrada para todos eles.

Se, ao terminar a audição, alguém sentir vontade de colocar Tres Hombres, Fandango!, Degüello, Eliminator, Recycler ou La Futura no CD player, então este projeto terá cumprido completamente sua missão.

Porque a viagem nunca terminaria no terceiro disco, ela terminaria diante da coleção.

Hoje, olhando para trás, percebo que aquele e-mail enviado à gravadora em 2014 jamais precisou de uma resposta. A resposta estava diante de mim o tempo inteiro. Ela apareceu quando o projeto deixou de ser apenas uma ideia e se transformou em algo que poderia ser segurado nas mãos.

Não como um produto, mas como um registro. Um registro de tudo aquilo que a música foi capaz de construir ao longo de uma vida. Eu não vejo esses três CDs como um sonho interrompido, vejo exatamente o contrário, vejo um sonho que encontrou sua própria maneira de existir, na coleção de alguém que, muitos anos antes de imaginar um site chamado Southern Rock Site Brazil, já descobria que alguns discos tinham o estranho poder de nos acompanhar pela vida inteira.





Foi isso que esta Anthology 1970-2012 preservou. Não apenas quarenta e dois anos da história do ZZ TOP. Preservou também o olhar de um menino que um dia entrou em uma loja de discos sem imaginar que continuaria fazendo a mesma viagem décadas depois. Essa é a maior recompensa que a música pode oferecer, ela nos permite crescer sem nunca nos obrigar a abandonar aquilo que fomos.

Fecho esta resenha com a mesma sensação que tive ao encaixar os três CDs dentro do digipack pela primeira vez: não construí uma coletânea...

Preservei uma história.


Resenha escrita por Renato Martins São Pedro

Conteúdo

Disco 1

1.    Waitin' for the Bus (Taken from Tres Hombres – 1973) – 2:59

2.    Jesus Just Left Chicago (Taken from Tres Hombres – 1973) – 3:30

3.    Avalon Hideaway (Taken from Tejas – 1976) – 3:07

4.    Chevrolet (Taken from Rio Grande Mud – 1972) – 3:47

5.    Francine (Taken from Rio Grande Mud – 1972) – 3:33

6.    Beer Drinkers & Hell Raisers (Taken from Tres Hombres – 1973) – 3:23

7.    I'm Bad, I'm Nationwide (Taken from Degüello – 1979) – 4:46

8.    Balinese (Taken from Fandango! – 1975) – 2:39

9.    Pan Am Highway Blues (Taken from Tejas – 1976) – 3:15

10.  Old Man (Taken from ZZ Top's First Album – 1971) – 3:23

11.  Lowdown in the Street (Taken from Degüello – 1979) – 2:49

12.  Squank (Taken from ZZ Top's First Album – 1971) – 2:46

13.  Move Me on Down the Line (Taken from Tres Hombres – 1973) – 2:32

14.  It's Only Love (Taken from Tejas – 1976) – 4:22

15. (Somebody Else Been) Shakin' Your Tree (Taken from ZZ Top's First Album – 1971) – 2:32

16.  I Thank You (Taken from Degüello – 1979) – 3:23

17.  Neighbor, Neighbor (Taken from ZZ Top's First Album – 

18.  She Loves My Automobile (Taken from Degüello – 1979) – 2:24

19.   It's So Hard (Taken from El Loco – 1981) – 5:12

20.   Nasty Dogs and Funky Kings (Taken from Fandango! – 1975) – 2:42

21.   El Diablo (Taken from Tejas – 1976) – 4:22

22.   Ko Ko Blue (Taken from Rio Grande Mud – 1972) – 4:56

23.   Mushmouth Shoutin' (Taken from Rio Grande Mud – 1972) – 3:41


Disco 2

1.    Heard It on the X (Taken from Fandango! – 1975) – 2:24

2.    La Grange (Taken from Tres Hombres – 1973) – 3:52

3.    Tush (Taken from Fandango! – 1975) – 2:15

4.    Sharp Dressed Man (Taken from Eliminator – 1983) – 4:12

5.    Brown Sugar (Taken from ZZ Top's First Album – 1971) – 5:22

6.    Hi Fi Mama (Taken from Degüello – 1979) – 2:23

7.    Just Got Paid (Taken from Rio Grande Mud – 1972) – 3:49

8.    Backdoor Love Affair (Taken from ZZ Top's First Album – 1971) – 3:20

9.    Bedroom Thang (Taken from ZZ Top's First Album – 1971) – 3:53

10.  Arrested for Driving While Blind (Taken from Tejas – 1976) – 3:09

11.  Tube Snake Boogie (Taken from El Loco – 1981) – 3:03

12.   Down Brownie (Taken from Rio Grande Mud – 1972) – 2:53

13.   Goin' Down to Mexico (Taken from ZZ Top's First Album – 1971) – 3:26

14.   Ten Dollar Man (Taken from Tejas – 1976) – 3:42

15.  Precious and Grace (Taken from Tres Hombres – 1973) – 3:09

16.  Whiskey'n Mama (Taken from Rio Grande Mud – 1972) – 3:20

17.  Leila (Taken from El Loco – 1981) – 3:13

18.  Snappy Kakkie (Taken from Tejas – 1976) – 2:59

19.   Manic Mechanic (Taken from Degüello – 1979) – 2:37

20.  Just Got Back from Baby's (Taken from ZZ Top's First Album – 1971) – 4:07

21.   Dust My Broom (Taken from Degüello – 1979) – 3:06

22.   Certified Blues (Taken from ZZ Top's First Album – 1971) – 3:25

23.    Party on the Patio (Taken from El Loco – 1981) – 2:49


Disco 3

1.    Got Me Under Pressure (Taken from Eliminator – 1983) – 4:03

2.    Cheap Sunglasses (Taken from Degüello – 1979) – 4:48

3.    My Head's in Mississippi (Taken from Recycler – 1990) – 4:25

4.    Mexican Blackbird (Taken from Fandango! – 1975) – 3:07

5.    Gimme All Your Lovin' (Taken from Eliminator – 1983) – 4:03

6.    Legs (Original Version) (Taken from Eliminator – 1983) – 4:33

7.    Deal Goin' Down (Taken from Antenna – 1994) – 4:06

8.    Concrete and Steel (Taken from Recycler – 1990) – 3:45

9.    She's Just Killing Me (Taken from Rhythmeen – 1996) – 4:55

10.   I Got the Six (Taken from Eliminator – 1983) – 2:53

11.     Buck Nekkid (Taken from Mescalero – 2003) – 3:02

12.    Penthouse Eyes (Taken from Recycler – 1990) – 3:49

13.   Chartreuse (Taken from La Futura – 2012) – 2:57

14.   Flyin' High (Taken from La Futura – 2012) – 4:20

15.  Sleeping Bag (Taken from Afterburner – 1985) – 4:03

16.  Fearless Boogie (Taken from XXX – 1999) – 4:01

17.  Rhythmeen (Taken from Rhythmeen – 1996) – 3:53

18.   Doubleback (Taken from Recycler – 1990) – 3:53

19.   Pincushion (Taken from Antenna – 1994) – 4:33

20.  I Gotsta Get Paid (Taken from La Futura – 2012) – 4:03


Formação

Billy F. Gibbons - guitarras, vocais

Dusty Hill - baixo, teclados ocasionais, vocais

Frank Beard - bateria e percussão

 

Nota do editor

A Anthology 1970-2012 foi idealizada e produzida por Renato Martins São Pedro em 2014 exclusivamente para uso pessoal, sem qualquer finalidade comercial. O projeto nunca foi disponibilizado para venda nem possui caráter oficial. Esta resenha tem como objetivo registrar editorialmente uma iniciativa de preservação da obra do ZZ TOP sob a perspectiva de um colecionador e jornalista.