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The Allman Brothers Band



Antes de o Southern Rock receber esse nome e se transformar em um gênero reconhecido mundialmente, seis músicos reunidos em Jacksonville, na Flórida, já estavam construindo uma linguagem que mudaria a história do Rock americano. Blues, Jazz, Country, Soul, Gospel, improvisação e Rock'n'Roll conviviam dentro de uma música que respeitava profundamente suas raízes, mas não aceitava fronteiras. O The Allman Brothers Band nasceu em 1969 e se tornou um dos pilares da música produzida no Sul dos Estados Unidos, referência para gerações de bandas e uma das formações mais importantes da história do Rock.

A história começa antes da existência do grupo. Os irmãos Howard Duane Allman e Gregory Lenoir Allman nasceram em Nashville, Tennessee, e cresceram principalmente na Flórida depois da morte do pai, assassinado em 1949. A música entrou definitivamente na vida dos dois durante a adolescência. Gregg se interessou primeiro pelo violão, mas Duane mergulhou no instrumento com uma intensidade que logo modificou a dinâmica entre os irmãos. Juntos passaram por grupos como The Escorts e Allman Joys, percorrendo clubes e circuitos do Sul antes de seguirem para Los Angeles com o Hour Glass.

O Hour Glass lançou dois álbuns pela Liberty Records, mas a experiência revelou um conflito que acompanharia Duane por toda a vida: ele não queria que executivos determinassem qual música deveria tocar. Quando aquela etapa terminou, Duane encontrou outro caminho em Muscle Shoals, Alabama. Seu trabalho como guitarrista de estúdio o colocou ao lado de artistas como Wilson Pickett, Aretha Franklin, King Curtis, Clarence Carter e outros nomes da música americana. A gravação de Hey Jude com Wilson Pickett chamou atenção especial para sua guitarra e ajudou a consolidar sua reputação. O músico que estava sendo procurado para sessões, porém, carregava uma ambição maior. Duane queria uma banda.

Em Jacksonville, no início de 1969, essa banda começou a surgir através de encontros e jam sessions. Duane se aproximou do baterista Jai Johanny Johanson, o Jaimoe, músico profundamente ligado ao Jazz. O guitarrista Dickey Betts e o baixista Berry Oakley vinham do Second Coming. Butch Trucks, que já havia cruzado o caminho dos irmãos Allman anteriormente, completou a estrutura rítmica. Quando aqueles cinco músicos tocaram juntos, a base estava formada. Faltava uma voz, um compositor e um tecladista. Duane chamou Gregg de volta da Califórnia.

Em 26 de março de 1969, Duane Allman, Gregg Allman, Dickey Betts, Berry Oakley, Butch Trucks e Jaimoe formaram oficialmente o The Allman Brothers Band. O equilíbrio entre personalidades e origens musicais diferentes produziu uma sonoridade que não cabia nos compartimentos habituais. Duane e Dickey desenvolveram guitarras harmonizadas que podiam funcionar como duas vozes independentes ou como uma única linha melódica. Berry Oakley tratava o baixo como instrumento de movimentação e diálogo, não apenas sustentação. Butch Trucks oferecia força e precisão, enquanto Jaimoe trazia uma sensibilidade jazzística para a bateria. Gregg ocupava o centro com o Hammond B3, uma voz marcada pelo Blues e composições que já revelavam maturidade impressionante.

Macon, na Geórgia, tornou-se a casa da banda e um dos centros de uma transformação musical que ganharia força nos anos seguintes. A ligação com Phil Walden e a Capricorn Records criou uma estrutura em torno do grupo, mas o crescimento do The Allman Brothers Band aconteceu principalmente na estrada. Os músicos tocavam incessantemente, encarando clubes, casas pequenas, festivais e longas viagens. O palco funcionava como laboratório. Uma música podia partir de uma estrutura conhecida e seguir por caminhos diferentes a cada noite, com os integrantes ouvindo uns aos outros e reagindo em tempo real.

O álbum de estreia, The Allman Brothers Band, chegou em 1969. O disco já apresentava elementos centrais da identidade do grupo, incluindo Dreams, Whipping Post, It's Not My Cross to Bear e a interpretação de Trouble No More, de Muddy Waters. O impacto comercial inicial foi limitado, mas a estrada continuava ampliando a reputação da banda. Em 1970, Idlewild South mostrou uma formação ainda mais segura de sua linguagem. Midnight Rider, Revival, Don't Keep Me Wonderin' e a instrumental In Memory of Elizabeth Reed, escrita por Dickey Betts, ajudaram a revelar a amplitude de um grupo que podia partir do Blues e chegar ao Jazz sem perder sua identidade.

Essa combinação também impede que a história do The Allman Brothers Band seja reduzida à fórmula de duas guitarras. A bateria dupla de Butch Trucks e Jaimoe foi revolucionária dentro daquele contexto. Trucks possuía uma abordagem poderosa e estruturada, enquanto Jaimoe carregava a influência de bateristas de Jazz e da música negra americana. Berry Oakley circulava entre os dois com linhas de baixo que ocupavam espaços inesperados. Sobre essa base, Gregg, Duane e Dickey podiam improvisar sem fazer a música desmoronar. Era liberdade sustentada por disciplina.

A estrada transformou o The Allman Brothers Band em uma força que os discos de estúdio ainda não haviam conseguido traduzir integralmente. Em 1970, o grupo passou perto de trezentos dias viajando e tocando. Quando chegou ao Fillmore East, em Nova York, em março de 1971, aquela máquina estava completamente ajustada. O produtor Tom Dowd registrou quatro apresentações realizadas nos dias 12 e 13. O resultado foi At Fillmore East.

Lançado em julho de 1971, At Fillmore East não funcionou apenas como um registro de concerto. O álbum capturou a essência de uma banda cuja música respirava no palco. Statesboro Blues, Stormy Monday, You Don't Love Me, Hot 'Lanta, In Memory of Elizabeth Reed e uma monumental Whipping Post mostravam seis músicos trabalhando como uma unidade. O Blues servia de fundação, o Jazz orientava a improvisação, o Rock fornecia potência e o Sul americano estava presente na maneira de tocar, cantar e construir aquela música. O disco finalmente levou o The Allman Brothers Band a um público muito maior.

Duane Allman estava no auge. Sua slide guitar já possuía uma voz reconhecível em segundos, mas seu papel ia além do virtuosismo. Ele era o líder musical e uma força agregadora dentro da banda. Ao seu lado, Dickey Betts não atuava como coadjuvante. Os dois possuíam estilos diferentes e complementares. Duane carregava uma ligação visceral com o Blues e uma abordagem extremamente expressiva no slide. Dickey tinha fraseado lírico, precisão melódica e forte ligação com Country, Western Swing e Jazz. A interação entre ambos estabeleceu um modelo de guitarras gêmeas que seria absorvido por inúmeras bandas nas décadas seguintes.

O sucesso finalmente chegava quando a história sofreu sua primeira ruptura brutal. Em 29 de outubro de 1971, Duane Allman morreu aos 24 anos depois de um acidente de motocicleta em Macon. A perda atingiu o centro emocional e musical do grupo. Substituí-lo por outro guitarrista significaria tentar reproduzir uma presença considerada insubstituível pelos próprios companheiros. A decisão foi continuar com cinco integrantes, deixando Dickey Betts responsável pelas guitarras.

Eat a Peach, lançado em fevereiro de 1972, nasceu em meio a essa transição e reuniu gravações de estúdio com Duane, material concluído depois de sua morte e apresentações ao vivo. O título ficou ligado para sempre à memória do guitarrista. Entre os momentos daquele período estavam Ain't Wastin' Time No More, Melissa, Blue Sky, Little Martha, One Way Out e a extensa Mountain Jam. Mais do que encerrar uma fase, o álbum registrou uma banda tentando descobrir como seguir adiante depois de perder seu fundador.

A resposta começou a aparecer na própria transformação do grupo. Dickey Betts passou a carregar uma responsabilidade ainda maior como guitarrista e compositor. Em vez de procurar outro músico para ocupar diretamente o lugar de Duane, o The Allman Brothers Band convidou o pianista Chuck Leavell. A mudança alterava a arquitetura sonora sem tentar reconstruir artificialmente a formação original.

Antes que essa nova etapa pudesse se estabelecer, outra tragédia atingiu a banda. Em 11 de novembro de 1972, Berry Oakley morreu aos 24 anos em um acidente de motocicleta em Macon, a poucos quarteirões do local onde Duane havia sofrido seu acidente pouco mais de um ano antes. Lamar Williams assumiu o baixo, e o grupo novamente escolheu continuar.

Com Gregg Allman, Dickey Betts, Butch Trucks, Jaimoe, Chuck Leavell e Lamar Williams, a banda entrou em uma fase diferente. Brothers and Sisters, lançado em 1973, consolidou essa transformação e levou o The Allman Brothers Band ao maior patamar comercial de sua carreira. Dickey assumiu papel decisivo, e Ramblin' Man tornou-se o maior sucesso do grupo nas paradas americanas. A instrumental Jessica, também de sua autoria, revelou outro lado de sua escrita e se tornou uma das músicas definitivas do repertório.

A importância de Dickey Betts para o The Allman Brothers Band atravessa toda a história do grupo. In Memory of Elizabeth Reed, Blue Sky, Ramblin' Man e Jessica bastariam para colocá-lo entre os grandes compositores ligados ao Southern Rock. Sua guitarra ajudou a criar, ao lado de Duane, uma assinatura que influenciou o gênero inteiro. Depois de 1971, sua permanência foi essencial para que a banda encontrasse uma identidade possível sem o fundador. O The Allman Brothers Band sobreviveu à morte de Duane sem tentar fabricar outro Duane, e Dickey teve participação central nessa escolha.

O sucesso trouxe uma escala de público que poucos anos antes seria inimaginável. O grupo passou a ocupar grandes arenas e estádios, enquanto Gregg Allman e Dickey Betts também desenvolviam carreiras solo. A dimensão alcançada pela banda, entretanto, veio acompanhada de desgaste, drogas, conflitos pessoais e divergências profissionais. Win, Lose or Draw, de 1975, surgiu nesse ambiente. A coesão que havia definido os primeiros anos estava comprometida.

Em 1976, a situação envolvendo Gregg Allman e o julgamento de Scooter Herring aprofundou uma ruptura interna que já vinha crescendo. O grupo se desfez. Para uma banda construída sobre a ideia de irmandade musical, o primeiro fim revelou quanto aquela relação havia sido deteriorada pelas pressões acumuladas durante anos de estrada, sucesso e perdas.

A separação não durou para sempre. Gregg, Dickey, Butch e Jaimoe retomaram o The Allman Brothers Band no final dos anos 1970, acompanhados por novos integrantes. Enlightened Rogues chegou em 1979 e apresentou uma formação com Dan Toler na guitarra e David Goldflies no baixo. Depois vieram Reach for the Sky, em 1980, e Brothers of the Road, em 1981. O cenário musical havia mudado, a indústria buscava outros sons e a banda enfrentava dificuldades para reencontrar a posição que ocupara na década anterior. Uma nova separação encerrou aquela fase.

Durante boa parte dos anos 1980, o The Allman Brothers Band permaneceu fora de atividade regular, embora seus integrantes continuassem trabalhando em diferentes projetos e reencontros ocasionais mantivessem a ligação entre eles. O catálogo, ao mesmo tempo, ganhava uma nova geração de ouvintes. O lançamento da caixa Dreams, em 1989, coincidiu com a aproximação do vigésimo aniversário e abriu caminho para uma reunião que inicialmente poderia funcionar como celebração, mas acabou se transformando em renascimento.

Gregg Allman, Dickey Betts, Butch Trucks e Jaimoe voltaram acompanhados por Warren Haynes na guitarra, Allen Woody no baixo e Johnny Neel nos teclados. Warren não entrou com a missão de imitar Duane. Sua experiência anterior ao lado de Dickey e sua própria identidade permitiram reconstruir a dinâmica de duas guitarras dentro de outra época. A química funcionou. O que começou como reunião ganhou continuidade, contrato com a Epic e um novo álbum.

Seven Turns, de 1990, recolocou o The Allman Brothers Band em movimento criativo. Shades of Two Worlds, de 1991, aprofundou essa retomada, e Marc Quiñones passou a integrar a formação na percussão. O grupo voltou a fazer da estrada sua principal fonte de energia e encontrou no Beacon Theatre, em Nova York, uma segunda casa. As temporadas no Beacon se transformaram em tradição e permitiram que a banda recuperasse uma característica essencial de sua origem: nenhuma apresentação precisava ser idêntica à anterior.

A fase dos anos 1990 produziu também Where It All Begins, lançado em 1994, além de registros ao vivo que documentaram a força daquela formação. Em 1995, o The Allman Brothers Band entrou para o Rock & Roll Hall of Fame, reconhecimento institucional de uma história que já havia deixado marcas profundas no Rock americano. O grupo que durante os primeiros anos precisou conquistar público noite após noite agora ocupava oficialmente um lugar entre os grandes nomes da música.

A estabilidade voltou a ser testada em 1997, quando Warren Haynes e Allen Woody deixaram o grupo para se dedicar integralmente ao GOV'T MULE. Jack Pearson assumiu a guitarra e Oteil Burbridge entrou no baixo. Dois anos depois, outro sobrenome carregado de história apareceu na formação. Derek Trucks, sobrinho de Butch Trucks, tornou-se integrante do The Allman Brothers Band em 1999.

Derek não chegou para reproduzir Duane Allman. Sua slide guitar carregava conhecimento profundo da tradição que Duane ajudara a estabelecer, mas também absorvia Jazz, Blues, Soul e músicas de outras partes do mundo. Sua entrada abriu novas possibilidades para a banda em um momento que logo se tornaria turbulento. Em 2000, Dickey Betts deixou o grupo após três décadas de uma relação que havia produzido momentos fundamentais e conflitos intensos. A separação encerrou definitivamente sua trajetória dentro do The Allman Brothers Band, mas não apagou sua condição de arquiteto daquela música.

Allen Woody morreu em agosto daquele mesmo ano, aos 44 anos. Outra vez, a história da banda era atravessada pela perda de um músico que havia ajudado a sustentar uma fase importante. Oteil Burbridge já ocupava o baixo, e Warren Haynes começou a se aproximar novamente do grupo. Em 2001, sua volta oficial estabeleceu a formação que permaneceria junta até o último show: Gregg Allman, Warren Haynes, Derek Trucks, Oteil Burbridge, Butch Trucks, Jaimoe e Marc Quiñones.

Era uma formação capaz de respeitar o passado sem viver como reprodução dele. Warren e Derek reconstruíram a conversa entre duas guitarras a partir das próprias identidades. Oteil ofereceu ao baixo liberdade rítmica e harmônica compatível com a tradição iniciada por Berry Oakley. Marc acrescentou uma terceira camada percussiva à interação de Butch e Jaimoe. No centro, Gregg continuava sentado diante do Hammond B3, com uma voz que ganhara novas marcas do tempo.

Hittin' the Note, de 2003, foi o primeiro álbum de estúdio dessa formação e acabaria sendo o último trabalho de estúdio do The Allman Brothers Band. Também foi o único álbum de estúdio da banda sem Dickey Betts e o único com Derek Trucks. O título recuperava uma expressão associada a Berry Oakley, usada para definir aqueles momentos em que todos os músicos encontravam juntos o ponto exato da música. Décadas depois da formação original, a ideia continuava resumindo a essência do grupo.

A partir dali, o The Allman Brothers Band concentrou sua energia no lugar onde sua identidade sempre havia sido mais completa: o palco. As temporadas no Beacon Theatre se tornaram lendárias, recebendo convidados e permitindo que repertórios fossem reconstruídos noite após noite. Blues, Jazz e improvisação continuavam circulando pelas músicas sem transformar os concertos em exercícios de nostalgia. A formação mais longeva da história do grupo permaneceu unida de 2001 a 2014.

A influência construída desde 1969 já podia ser encontrada por toda parte. O Southern Rock havia crescido e desenvolvido diferentes vertentes, mas a contribuição do The Allman Brothers Band permanecia singular. O grupo abriu espaço para bandas do Sul dentro de uma indústria que ainda enxergava a região através de estereótipos, ajudou a consolidar Macon e a Capricorn Records como centros importantes da música americana e demonstrou que Blues, Country, Jazz e Rock podiam coexistir dentro da mesma estrutura sem que nenhum deles precisasse perder sua identidade.

Também seria limitador tratar o The Allman Brothers Band apenas como fundador do Southern Rock. Sua música nasceu no Sul e ajudou decisivamente a construir o gênero, mas carregava uma relação profunda com tradições afro-americanas. O Blues de Muddy Waters, Elmore James, Blind Willie McTell e T-Bone Walker fazia parte de seu vocabulário. O Jazz estava presente na improvisação e na concepção rítmica de Jaimoe. Soul e Gospel atravessavam a voz e o Hammond de Gregg. Country e Western Swing apareciam com força na escrita e na guitarra de Dickey. A banda transformou esse encontro em linguagem própria.

Em 2014, Warren Haynes e Derek Trucks anunciaram que deixariam o grupo ao final daquele ano. Em vez de reconstruir novamente a formação, os integrantes decidiram encerrar a estrada. O Beacon Theatre, palco de tantas noites históricas, foi escolhido para a despedida.

Na noite de 28 de outubro de 2014, o The Allman Brothers Band realizou seu último concerto. Gregg Allman, Warren Haynes, Derek Trucks, Oteil Burbridge, Butch Trucks, Jaimoe e Marc Quiñones tocaram três sets. Depois de 45 anos de formações, separações, reencontros, mortes, conflitos, renascimentos e milhares de horas sobre palcos, chegou a última música.

Trouble No More.

A escolha fechava um círculo. A composição de Muddy Waters estava ligada ao início da história do grupo e havia sido a primeira música tocada pelos músicos na jam que deu origem à banda. Em 2014, tornou-se a última. O The Allman Brothers Band terminava no palco, tocando Blues, exatamente na fonte da qual havia partido.

O encerramento da banda não interrompeu as perdas dentro daquela família. Butch Trucks morreu em janeiro de 2017. Gregg Allman morreu em 27 de maio do mesmo ano, aos 69 anos. Dickey Betts morreu em 18 de abril de 2024, aos 80. Duane, Berry, Butch, Gregg e Dickey já partiram. Jaimoe permanece como o último integrante vivo da formação original.

A história, porém, nunca dependeu apenas da presença física daqueles seis homens. Ela permanece nas guitarras que aprenderam a harmonizar depois de ouvir Duane e Dickey, nas bandas que descobriram que duas baterias podiam funcionar como uma única engrenagem, nos músicos que compreenderam que improvisar não significa tocar sem direção, na tradição das jam bands americanas e em praticamente qualquer discussão séria sobre as origens do Southern Rock.

Duane Allman imaginou uma banda. Gregg Allman lhe deu voz e Hammond. Dickey Betts ampliou sua linguagem e ajudou a conduzi-la depois da perda do fundador. Berry Oakley mostrou que o baixo podia conversar com todos ao mesmo tempo. Butch Trucks e Jaimoe construíram uma base rítmica que unia força e liberdade. Os músicos que chegaram depois não apagaram essa arquitetura. Warren Haynes, Allen Woody, Chuck Leavell, Lamar Williams, Oteil Burbridge, Derek Trucks, Marc Quiñones e tantos outros ajudaram a manter a música em movimento, cada qual dentro de seu tempo.

O The Allman Brothers Band não precisou escolher entre tradição e liberdade. Fez das duas a mesma coisa. O Blues podia se estender por vinte minutos, o Country podia dividir espaço com o Jazz, uma guitarra podia terminar a frase iniciada pela outra e uma música conhecida podia encontrar um caminho diferente diante do público. Esse princípio atravessou 45 anos.

Antes de o Southern Rock se transformar em gênero, mercado, rótulo ou identidade visual, aquela música já estava sendo tocada. Seis homens se reuniram na Flórida, fizeram de Macon sua casa, entraram numa van e seguiram pela estrada. O que nasceu dali ajudou a definir o som de uma região e deixou uma marca permanente na música americana.

A estrada terminou para a banda em 2014.

A música continuou.

Formação original

Duane Allman: guitarra solo e slide
Gregg Allman: vocais e Hammond B3
Dickey Betts: guitarra solo e vocais
Berry Oakley: baixo e vocais
Butch Trucks: bateria e percussão
Jai Johanny “Jaimoe” Johanson: bateria e percussão

Formação final

Gregg Allman: vocais, Hammond B3 e teclados
Warren Haynes: guitarra, slide guitar e vocais
Derek Trucks: guitarra e slide guitar
Oteil Burbridge: baixo
Butch Trucks: bateria e percussão
Jaimoe: bateria e percussão
Marc Quiñones: percussão e vocais

Discografia de estúdio

1969 The Allman Brothers Band
1970 Idlewild South
1972 Eat a Peach
1973 Brothers and Sisters
1975 Win, Lose or Draw
1979 Enlightened Rogues
1980 Reach for the Sky
1981 Brothers of the Road
1990 Seven Turns
1991 Shades of Two Worlds
1994 Where It All Begins
2003 Hittin' the Note

Álbum ao vivo fundamental

1971 At Fillmore East