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Low Tide Riders

 


Nota editorial | Southern Rock Site Brazil

Essa banda não pertence diretamente ao universo do Southern Rock, mas sua sonoridade dialoga com elementos, influências ou atmosferas que orbitam o estilo. Por afinidade musical e relevância desse contexto, ela também integra o arquivo do Southern Rock Site Brazil.

A Low Tide Riders surgiu em Curitiba, Paraná, em 2017, reunindo músicos ligados ao circuito independente da cidade e interessados em desenvolver um trabalho autoral baseado nas vertentes mais pesadas do Rock. Desde suas primeiras atividades, o grupo incorporou referências do Southern Rock, do Stoner Rock, do Hard Rock dos anos 1970 e do Hardcore, construindo uma identidade marcada por guitarras de afinação grave, linhas de baixo distorcidas e uma abordagem vocal intensa. Ao longo dos anos seguintes, a banda ampliou seu repertório, participou de eventos da cena alternativa curitibana e consolidou uma discografia formada por três EPs.

A formação no início de sua trajetória reuniu João CFHalter nos vocais, Maurício Albiero na guitarra, Hell Santos no baixo e Carlos Sabião na bateria. Os integrantes já possuíam experiência no ambiente musical independente de Curitiba, característica que contribuiu para o desenvolvimento de um projeto voltado à criação de músicas próprias. A proposta não estava restrita a uma única vertente do Rock pesado, mas à combinação de referências que compartilhavam o interesse por riffs, intensidade instrumental e uma base rítmica de forte presença.

O surgimento da Low Tide Riders aconteceu num período de atividade significativa da cena curitibana de Rock independente. A cidade reunia bandas dedicadas ao Stoner, ao Doom Metal, ao Rock alternativo e a diferentes manifestações do Heavy Metal, com apresentações em casas especializadas e eventos organizados por produtores locais. Nesse ambiente, a banda começou a desenvolver seu repertório e a estabelecer contato com o público interessado em produções autorais.

As influências musicais declaradas pelo grupo incluem Black Sabbath, Down, Alice in Chains, Fu Manchu, Clutch e Monster Truck. Essas referências ajudam a compreender a combinação de elementos presentes em sua proposta. O peso associado ao Stoner e ao Doom convive com estruturas de Hard Rock, enquanto a presença de referências sulistas norte-americanas estabelece uma ligação com o Southern Rock e com o Groove Metal desenvolvido por grupos ligados à mesma tradição musical.

Durante os primeiros anos, a Low Tide Riders trabalhou de maneira independente, desenvolvendo composições e registrando material de demonstração. Antes de entrar em estúdio para produzir seu primeiro EP, o quarteto havia disponibilizado duas gravações realizadas segundo os princípios do faça você mesmo, prática comum entre bandas que procuram construir uma identidade musical sem depender inicialmente de uma estrutura profissional de produção.

Em 2019, o grupo lançou o single Trouble, um dos primeiros registros de sua atividade autoral a alcançar as plataformas digitais. O lançamento marcou uma etapa de organização do repertório e antecedeu o trabalho que seria realizado no ano seguinte. A banda continuou desenvolvendo suas músicas e buscando condições para registrar um conjunto mais representativo de composições.

Em 2020, a Low Tide Riders entrou no Fuzz Studio, em Curitiba, para gravar seu primeiro EP. As sessões aconteceram entre maio e junho, com produção de Diogo Zotto, profissional ligado à cena musical local. O trabalho reuniu quatro músicas e foi lançado em 17 de setembro daquele ano, pelo selo Abraxas, que já desenvolvia atividades relacionadas à divulgação de bandas brasileiras de Stoner Rock, Doom Metal e outras vertentes do Rock pesado.

Intitulado The Road, o EP representou a primeira oportunidade de apresentar de maneira mais organizada a proposta musical do quarteto. O lançamento preservou a combinação de influências setentistas, Southern Rock, Stoner e Hardcore que caracterizava suas composições iniciais. A parceria com a Abraxas também contribuiu para ampliar a circulação do trabalho fora do ambiente imediato de apresentações da banda.

A chegada de The Road coincidiu com um período particularmente difícil para os músicos independentes. A pandemia de Covid-19 interrompeu apresentações e comprometeu a atividade de casas de espetáculo, festivais e produtores culturais. Para uma banda que estava consolidando seu repertório e buscando ampliar a presença nos palcos, a impossibilidade de realizar shows representou um obstáculo importante.

Diante dessas restrições, a Low Tide Riders procurou manter o contato com o público por meio de registros audiovisuais. Em dezembro de 2020, participou de uma sessão gravada no Fuzz Studio, posteriormente divulgada como parte da iniciativa Live in the Void, associada à página Void Stoner Doom Worship. O projeto reunia apresentações de bandas ligadas ao Stoner Rock, Doom Metal e estilos relacionados, oferecendo uma alternativa de divulgação durante a suspensão dos eventos presenciais.

A gravação contou com trabalho audiovisual de Renan Casarin, Vitor Graf e Leandro Lazzarotto. A iniciativa permitiu que a banda apresentasse sua música em formato próximo ao de uma performance ao vivo, preservando a interação entre os integrantes num momento em que o circuito de shows permanecia paralisado. O material também ampliou sua presença em canais digitais voltados ao público do Rock pesado.

A continuidade das atividades levou a Low Tide Riders a preparar um segundo EP. As gravações de Wicked aconteceram no final de 2021, novamente com participação do produtor Diogo Zotto. A manutenção dessa parceria ofereceu continuidade ao trabalho iniciado em The Road, ao mesmo tempo em que o grupo desenvolvia novas composições e aprofundava sua identidade musical.

A música Wicked foi apresentada inicialmente como single em 2021, antecedendo o lançamento do EP homônimo, em fevereiro de 2022. O trabalho ampliou as músicas da banda e marcou a continuidade de sua produção autoral depois das dificuldades impostas pela pandemia. Entre as músicas registradas estavam Runaround, Above the Storm e Stand Up or Rise Up, que passaram a integrar o repertório divulgado pelo grupo.

A trajetória da Low Tide Riders também incluiu a produção de vídeos e registros de apresentações, recursos importantes para a circulação de bandas independentes. Além de divulgar as gravações de estúdio, o quarteto utilizou plataformas digitais para apresentar seu repertório e manter contato com ouvintes interessados nas diferentes vertentes do Rock pesado. Essa atividade contribuiu para preservar sua presença na cena musical durante a retomada gradual dos eventos presenciais.

Nos anos seguintes, a banda passou por mudanças de formação. Carlos Sabião deixou a bateria, função posteriormente assumida por Felipe Fontoura. A alteração representou uma nova etapa no desenvolvimento do grupo, que manteve João nos vocais, Maurício Albiero na guitarra e Hell Santos no baixo. Material disponível na internet não estabelece com precisão a data da substituição, mas confirma Fontoura como integrante da formação responsável pelo terceiro EP.

A preparação desse novo trabalho aconteceu num momento em que a banda procurava ampliar sua atuação para além de Curitiba. A banda passou a trabalhar com referências mais acentuadas de Stoner Rock e Doom Metal, incorporando afinações diferentes e novas possibilidades de timbre. O processo também refletiu a experiência acumulada pelos músicos ao longo dos anos anteriores, tanto nas gravações quanto nas apresentações.

Em 2025, o quarteto concluiu III, terceiro EP de sua trajetória, com produção de Bruno Hack. O trabalho marcou uma mudança na equipe de produção e apresentou três composições inéditas. A colaboração com Hack buscou preservar uma sonoridade orgânica e próxima da intensidade das apresentações, valorizando a interação entre os instrumentos e a presença dos vocais.

O processo de composição de III foi descrito pelo guitarrista Maurício Albiero como um trabalho desenvolvido a partir de ideias instrumentais que recebiam posteriormente as letras de João. Os temas abordados incluíam conflitos pessoais, pressões cotidianas, tentações, vícios e escolhas individuais. Essa orientação ampliou a dimensão temática do repertório, aproximando as músicas de experiências humanas que ultrapassavam referências tradicionais do Rock pesado.

O EP foi lançado nas plataformas digitais em 19 de setembro de 2025. A divulgação começou antes da chegada do trabalho, com a apresentação de um teaser em agosto e uma audição para convidados realizada em 11 de setembro. A estratégia demonstrou uma organização mais ampla do lançamento, com ações destinadas a apresentar o novo material e ampliar sua repercussão.

A apresentação oficial de III foi marcada para 26 de setembro de 2025, no Camaleão Cultural, em Curitiba. O evento integrou as atividades de divulgação do EP e reforçou a ligação da Low Tide Riders com a cena independente da cidade. Na ocasião, a banda já trabalhava com a formação composta por João, Maurício Albiero, Hell Santos e Felipe Fontoura.

A divulgação de III também apresentou um objetivo mais amplo para a trajetória do grupo. Em entrevistas e comunicados, Maurício Albiero destacou o interesse em conquistar reconhecimento nacional e participar de apresentações em outras cidades e festivais relevantes. A intenção refletia o desejo de transformar a experiência acumulada no circuito curitibano em oportunidades de circulação por outras regiões do país.

O lançamento recebeu atenção de veículos especializados em Rock e Heavy Metal, que destacaram a presença de elementos de Stoner e Doom na nova fase da banda. Essa repercussão contribuiu para ampliar a visibilidade do trabalho e situar a Low Tide Riders entre os grupos brasileiros que continuam desenvolvendo repertório autoral dentro das vertentes mais pesadas do Rock.

A banda também investiu em registros audiovisuais relacionados a III, incluindo material de divulgação de Heavy Soul. A utilização de vídeos permaneceu como parte de sua estratégia de comunicação, acompanhando uma tendência consolidada entre artistas independentes que dependem das plataformas digitais para alcançar ouvintes fora de seus circuitos regionais.

A evolução musical pode ser compreendida a partir da convivência entre suas referências originais e as mudanças incorporadas ao longo da carreira. O Southern Rock e o Hard Rock dos anos 1970 estiveram presentes desde a formação, enquanto os trabalhos posteriores aprofundaram a utilização de elementos associados ao Stoner e ao Doom. Essa transformação ocorreu sem interromper a continuidade do projeto ou sua ligação com o Rock pesado de tradição norte-americana.

A presença do Southern Rock entre as influências declaradas pela banda merece destaque dentro dessa trajetória. Embora a Low Tide Riders não desenvolva uma proposta exclusivamente ligada ao gênero, sua aproximação com artistas como Down e Monster Truck, somada às referências setentistas, demonstra como diferentes características da música sulista norte-americana continuam presentes em formações contemporâneas. No contexto brasileiro, essa relação contribui para ampliar a diversidade de projetos que dialogam com o estilo.

A trajetória do grupo também representa aspectos importantes da produção independente nacional. A gravação em estúdios locais, a colaboração com produtores da cena curitibana, a parceria com um selo especializado e a utilização de plataformas digitais demonstram diferentes caminhos encontrados por músicos brasileiros para desenvolver e divulgar trabalhos autorais. A continuidade ao longo de mudanças de formação e de um período de interrupção dos shows reforça a importância dessas estruturas para a manutenção de projetos musicais.

Desde sua criação em 2017, construiu uma discografia formada por três EPs e singles, mantendo a produção autoral como elemento central de sua atividade. O percurso entre The Road, Wicked e III documenta uma banda que atravessou diferentes etapas de desenvolvimento, ampliou suas referências musicais e passou a buscar oportunidades de circulação nacional.

A Low Tide Riders integra uma geração de bandas brasileiras que preservam a ligação com o Rock pesado dos anos 1970 enquanto incorporam características de vertentes posteriores. Sua história está diretamente associada à cena independente de Curitiba, à continuidade da produção autoral e à busca por espaço num mercado musical em constante transformação. A combinação de influências sulistas, Stoner, Doom e Hard Rock constitui a base de uma identidade que permanece em desenvolvimento.

Formação:

João CFHalter: vocais
Maurício Albiero: guitarra
Hell Santos: baixo
Felipe Fontoura: bateria

Integrante anterior

Carlos Sabião: bateria

Discografia

2019 - Trouble (single)
2020 - The Road (EP)
2021 - Wicked (single)
2022 - Wicked (EP)
2025 - III (EP)