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O rádio apresentava o Southern Rock


Antes dos algoritmos e das playlists, o rádio era uma das grandes portas de entrada para a música, e foi vivendo essa atmosfera nos Estados Unidos que o Southern Rock ganhou um significado diferente.

Por Renato Martins São Pedro

Antes do streaming, algoritmo, playlist pronta e música pulando na tela do celular… muita gente conheceu o Southern Rock do jeito certo: no rádio ligado. Era assim no sul dos EUA.

Uma guitarra saía do rádio, o locutor falava o nome da banda com aquela voz grave típica das FMs americanas e pronto… o mundo nunca mais foi o mesmo. Curiosamente, mesmo eu sendo radialista e ouvindo rádio praticamente a vida inteira, eu não conheci o Southern Rock dessa forma.

As rádios roqueiras no Brasil sempre tocaram Lynyrd SkynyrdThe Allman Brothers BandThe OutlawsCreedence Clearwater Revival, mas quase sempre aquilo vinha embalado apenas como “classic rock”. Faltava contexto, conteúdo e identidade. E faltava alguém dizer: “isso aqui é Southern Rock”. Um peso emocional na minha historia, digamos assim. Porque eu não descobri o Southern Rock no rádio brasileiro. Eu fui ENTENDER o Southern Rock vivendo aquela atmosfera nos Estados Unidos em 1999: rádios locais, calor, postos antigos, pequenas cidades e aquela sensação de que a música fazia parte do ambiente.

E quando voltei pro Brasil, continuei essa viagem nos garimpos da Galeria do Rock, procurando discos, fitas, CDs importados, bandas obscuras e histórias que ajudavam a montar esse universo na minha cabeça. Ah, o Southern Rock é tão diferente.

Ele não nasceu em escritório e não nasceu como tendência, nasceu nos lares.