Mais importante do que escolher o melhor álbum de
todos os tempos é reconhecer aquele disco que atravessou nossa história, esteve
ao nosso lado e passou a carregar memórias que nenhuma lista consegue medir.
Por Renato Martins São Pedro
Existe uma pergunta que sempre aparece em uma boa
conversa sobre música: qual é o melhor disco de todos os tempos? É uma pergunta
fascinante, mas, sinceramente, acho que existe outra muito mais difícil: Qual é
o disco da sua vida? Não estou falando da mesma coisa, pois o melhor disco pode
ser aquele que revolucionou um gênero, que influenciou gerações, que mudou a
história da música ou que simplesmente reúne músicos incríveis. Mas o disco da
nossa vida segue regras completamente diferentes, ele não precisa ser o mais
famoso, não precisa ser o mais vendido ou aparecer nas listas das maiores
revistas especializadas, ele apenas precisa ter estado ao nosso lado quando mais
precisávamos.
Foi o disco que tocava naquele carro durante uma viagem inesquecível, que
atravessou uma fase difícil, que embalou uma amizade, um namoro, uma conquista
ou até um momento de despedida. É justamente aí que mora a diferença. Nós
admiramos o melhor disco, mas criamos laços com o disco da nossa vida. Eu nunca
consegui responder essa pergunta escolhendo apenas um álbum, tenho muitos
discos que considero obras-primas e tenho tantos outros que carregam lembranças
impossíveis de explicar.
Nenhum ocupa o lugar do outro, cada um encontrou o seu espaço na minha
história. Nunca foi uma competição, nunca precisou provar que era melhor do que
outra. Bastou fazer parte da nossa caminhada. É por isso que ainda compramos
discos, guardamos CDs, fotografamos capas e voltamos tantas vezes às mesmas
músicas.
Discos impressionam, discos permanecem, e, para quem realmente ama música,
permanecer sempre será muito mais importante do que vencer qualquer lista dos
“melhores de todos os tempos”









