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O Baú do Southern Rock não tem fundo

 


Uma história ao lado do Black Oak Arkansas revelou uma das maiores verdades de quem ama música: por mais que conheçamos, sempre haverá uma banda esperando para ser descoberta.

Por Renato Martins São Pedro

Em 2012, durante a passagem do Black Oak Arkansas pelo Brasil, estávamos a caminho da Rádio Kiss FM para uma entrevista da banda. No banco de trás estavam dois integrantes, George Hughen e Johnnie Bolin. Eu dirigia, um amigo estava no banco da frente e, como sempre acontecia, um pendrive carregado de Southern Rock fazia a trilha sonora. Em determinado momento começou a tocar uma música do Hydra, banda obscura do estilo e que faz parte do acervo do Southern Rock Site BrazilPoucos segundos depois, um dos músicos no banco de trás perguntou: “Que banda é essa?” Respondi naturalmente: “Hydra.” Os dois se olharam com expressão de surpresa. E a resposta veio imediatamente: “Nunca ouvimos falar.”

Na hora eu fiquei espantado. Como assim? Uma banda sulista americana dos anos 70, com músicos sulistas e eles nunca tinham ouvido falar do Hydra? Mas com o passar dos anos percebi que aquela reação fazia todo sentido. Nenhum de nós conhece tudo. Nem no Southern Rock, nem no Hard Rock, nem no Heavy Metal e nem no rock brasileiro, somos eternos aprendizes.

Quantas bandas fantásticas existem que passamos décadas sem descobrir? Quantos discos incríveis continuam escondidos esperando alguém apertar o play pela primeira vez? É justamente por isso que, mesmo podendo passar o dia inteiro falando apenas dos grandes nomes do gênero, eu continuo dedicando espaço às bandas menos conhecidas aqui no Southern Rock Site BrazilNão porque elas sejam melhores que os medalhões, mas porque elas também fazem parte da história e alguém precisa manter essas histórias vivas. Atrás de muitos discos esquecidos existem músicos talentosos, grandes canções e capítulos importantes da construção do Southern Rock que merecem ser lembrados. Essa é a missão que mais me diverte depois de todos esses anos, descobrir, redescobrir e compartilhar.

E a próxima grande descoberta pode estar escondida em uma banda que você jamais ouviu falar, porque o “baú do rock não tem fundo”.