Uma pergunta sobre o futuro que nunca existiu
acabou revelando algo ainda mais profundo: quantas músicas, discos e histórias
podem ter ficado pelo caminho quando o tempo interrompe uma formação histórica.
Por Renato Martins São Pedro
Certa vez, um dos leitores mais participativos do
Southern Rock Site Brazil, me lançou um desafio.
Ele perguntou como seria o Molly Hatchet clássico em 2026 se todos os
integrantes originais ainda estivessem vivos e permanecessem juntos. Como seria
o som da banda? Continuariam lançando discos inéditos? Ainda fariam turnês?
Seriam hoje uma banda do tamanho de Lynyrd Skynyrd ou ZZ
Top? Já estariam no
Rock and Roll Hall of Fame? Não respondi na hora. Na verdade, passei alguns
dias pensando nessa pergunta e cheguei à conclusão de que ela não tem uma
resposta definitiva. Não porque seja impossível imaginar cenários, mas porque a
história nunca nos deu a oportunidade de descobrir. Ninguém pode afirmar como o
Molly Hatchet clássico soaria hoje ou garantir quais caminhos musicais
escolheria ou quantos discos ainda gravaria ou até onde mesmo chegaria. A
verdadeira resposta ficou perdida no tempo. Mas a pergunta deste leitor também
me fez refletir sobre outra coisa.
Quem acompanha o site, a página no Facebook e o Instagram, sabe que nunca
enxerguei uma banda apenas por uma formação específica. Sempre valorizei o
legado e a continuidade da música. É assim com o Molly Hatchet, é assim com o Lynyrd Skynyrd… é assim com tantas outras bandas do Southern Rock. Os músicos mudam, o
tempo passa, novos integrantes chegam, outros partem, mas, quando existe
respeito pela história construída, as músicas continuam emocionando,
encontrando novos públicos e atravessando gerações. E eu sempre dei muito valor
a isso. Por isso, a pergunta que mais ficou na minha cabeça nem foi como seria
o a banda hoje.
A pergunta passou a ser outra: quanto mais a banda original poderia ter nos
oferecido? Quantas músicas jamais foram compostas? Quantos discos nunca
existiram? Quantos shows deixariam de acontecer? Esse, para mim, é o verdadeiro
vazio que o tempo deixou. Percebi que a grandeza do Molly Hatchet não depende
de hipóteses, ela está registrada nos discos que gravaram, nas estradas que
percorreram e no legado que continua vivo até hoje. E esse legado segue firme
justamente porque pessoas diferentes, em momentos diferentes da história,
decidiram não deixar essa chama se apagar.
Nem toda pergunta existe para ser respondida, muitas existem apenas para nos
fazer pensar.









