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Molly Hatchet


Formada em Jacksonville, Flórida, na metade da década de 1970, Molly Hatchet representou a face mais pesada e agressiva do Southern Rock. Enquanto outras bandas do gênero dialogavam com o country, o jazz ou o folk, o grupo apostou em guitarras densas, riffs diretos e uma estética visual que aproximava o Southern Rock do hard rock e da fantasia heroica popular na cultura gráfica da época.

 

O núcleo inicial da banda reuniu guitarristas que exploravam harmonizações múltiplas e peso sonoro pouco comum dentro do gênero, criando uma sonoridade que combinava a tradição sulista com a energia do hard rock setentista. O vocal de Danny Joe Brown tornou-se elemento central dessa identidade, trazendo uma interpretação grave e direta que reforçava o caráter de estrada da banda. Desde a infância, Brown convivia com diabetes, condição que acompanharia toda a sua trajetória e que mais tarde influenciaria diretamente os rumos da banda.

 

Nos primeiros anos, a proximidade geográfica e cultural com a cena de Jacksonville colocou o grupo sob a atenção de Ronnie Van Zant, figura central do Southern Rock. Van Zant chegou a acompanhar a banda, auxiliou na gravação de demos e havia a perspectiva de participação na produção do álbum de estreia. A morte do vocalista do Lynyrd Skynyrd no acidente aéreo de 1977 interrompeu essa possibilidade e obrigou o Molly Hatchet a seguir com autonomia artística e profissional, consolidando sua trajetória por conta própria dentro do cenário do rock sulista.

 

O impacto inicial veio com os primeiros álbuns, cujas capas ilustradas por artistas ligados à fantasia heroica ajudaram a estabelecer uma imagem forte e imediatamente reconhecível. Musicalmente, o grupo apresentou um Southern Rock mais musculoso, baseado em riffs, refrões diretos e forte presença de palco, ampliando o alcance do gênero para públicos que transitavam entre o rock sulista e o hard rock.

 

Ao longo da década de 1980, mudanças de formação e transformações no cenário musical afetaram a projeção da banda, mas o repertório dos primeiros discos consolidou o Molly Hatchet como um dos nomes mais característicos do período clássico do Southern Rock. O último trabalho ainda ligado ao núcleo histórico do grupo surgiu no fim da década, já com a inclusão de Riff West no baixo e John Galvin nos teclados, marcando a fase final dessa encarnação da banda.

 

Nos anos seguintes, o grupo se dissolveu e passou a existir sob novas formações. A tentativa de retorno de Danny Joe Brown ocorreu nesse contexto, e ele chegou a gravar algumas faixas de um novo disco. Entretanto, complicações decorrentes da diabetes que o acompanhava desde a juventude impediram sua continuidade, levando ao seu afastamento por orientação médica. A partir daí, o nome da banda passou a seguir sob a liderança do guitarrista Bobby Ingram, com uma formação completamente distinta daquela dos anos clássicos. Para os vocais foi escolhido Phil McCormack, cuja voz potente e carregada de sotaque sulista manteve viva a identidade sonora do grupo, mesmo em uma nova fase histórica.

 

Dentro do panorama do gênero, Molly Hatchet representa a vertente mais pesada e direta do Southern Rock, demonstrando como o estilo podia absorver elementos do hard rock sem perder suas raízes regionais. Seu legado está ligado à capacidade de traduzir o espírito de estrada do sul dos Estados Unidos em uma sonoridade intensa e visualmente marcante.

 

Formação clássica

 

Danny Joe Brown, vocais

Dave Hlubek, guitarra

Duane Roland, guitarra

Steve Holland, guitarra

Banner Thomas, baixo

Bruce Crump, bateria

 

Discografia essencial

 

Molly Hatchet (1978)

Flirtin’ with Disaster (1979)

Beatin’ the Odds (1980)

Take No Prisoners (1981)

No Guts… No Glory (1983)