Quando
os fãs de rock pensam em Syracuse, uma das cidades do interior do estado
de Nova York, muitas vezes a associação imediata é com as cenas punk,
hardcore e o movimento Straight-Edge, que utilizava o punk para promover um
estilo de vida baseado em abstinência de álcool e drogas, vegetarianismo e
espiritualidade. Muitas bandas desse movimento chegaram inclusive a demonstrar
simpatia por filosofias ligadas ao Hare Krishna, funcionando em alguns
casos como uma espécie de equivalente do rock cristão, embora com inclinações
políticas frequentemente voltadas à esquerda.
Apesar
da reputação de Syracuse como um reduto do punk Straight-Edge, nem todas
as bandas que surgiram na região nos anos 90 e 2000 tinham ligação com esse
movimento.
Os
nova-iorquinos do Brand New Sin estão exatamente no extremo oposto. A
banda não tem absolutamente nada a ver com a estética ou filosofia
Straight-Edge. Pelo contrário: são barulhentos, cabeludos, tatuados e
assumidamente apaixonados pela cultura sulista norte-americana, criando um Southern
Metal vigoroso, feito sob medida para fãs de hard rock e heavy metal.
O
guitarrista Kris Wiechmann, um dos três guitarristas da formação
original, já demonstrava essa postura provocativa no álbum de estreia homônimo
lançado em 2002. A temática do disco, descrita como “a primeira bebida que um
alcoólatra toma após sair da reabilitação”, está longe de ser o tipo de
conceito que uma banda ligada ao Straight-Edge adotaria.
Musicalmente,
o grupo é fortemente influenciado por nomes clássicos do hard rock e do
heavy metal, como MOTÖRHEAD, BLACK SABBATH, GUNS N’ ROSES,
PANTERA e METALLICA. Ao mesmo tempo, é possível perceber traços
de bandas do Southern Rock como LYNYRD SKYNYRD, MOLLY HATCHET
e BLACKFOOT, além de elementos de um som mais pesado e pantanoso,
próximo ao chamado Mississippi sludge, criando uma mistura que une peso
metálico com uma pegada bluesy e sulista.
Embora
carregue fortes influências das décadas de 70 e 80, o Brand New Sin conseguiu
manter relevância dentro da cena do metal alternativo pós-milênio. Ainda assim,
o grupo sempre se manteve distante da estética nu metal, representada
por bandas como LIMP BIZKIT, KORN, P.O.D., RAGE AGAINST
THE MACHINE e METHODS OF MAYHEM, que dominavam parte do cenário na
época. Para o Brand New Sin, a filosofia sempre foi simples: misturar
Southern Rock com o peso do Metal.
Durante
os anos 90, alguns dos futuros integrantes do grupo tocaram na banda Godbelow
Syracuse, experiência que ajudou a desenvolver uma fusão entre metal e
punk. No entanto, quando decidiram explorar um som diferente, com influências
mais bluesy, pantanosas e sulistas, o Brand New Sin foi oficialmente formado
no início dos anos 2000.
Enquanto
muitas bandas de metal trabalhavam com quatro ou cinco integrantes, o grupo
surgiu com seis músicos, incluindo Joe Altier (vocal), Chuck
Kahl (baixo), Mike Rafferty (bateria) e nada menos que três
guitarristas: Slider (também responsável pelos backing vocals), Kris
Wiechmann e Ken Dunham.
Em
junho de 2002, a banda lançou seu álbum de estreia homônimo pela Jersey City
Records. No ano seguinte, o baterista Kevin Dean entrou para o
grupo, substituindo Mike Rafferty. O EP Black and Blue e o álbum Recipe
for Disaster foram lançados em 2005.
Em
2008, o vocalista Joe Altier deixou a banda para seguir outros projetos
e foi brevemente substituído por Nine Ball. Nesse mesmo período, Kris
Wiechmann assumiu os vocais, e o grupo lançou de forma independente o álbum
Tequila.
Em
2011, o Brand New Sin retornou com seu quinto álbum de estúdio, United State,
lançado pela Goomba Music, consolidando essa nova fase com Wiechmann
também à frente dos vocais.
Formação (períodos variados)
Kris
Wiechmann - guitarra e vocais
Ken Dunham - guitarra
Slider - guitarra e backing vocals
Chuck Kahl - baixo
Kevin Dean - bateria
Discografia selecionada
2002
- Brand New Sin
2003 - Above the Noise
2005 - Recipe for Disaster
2008 - Tequila
2011 - United State










