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Southern Rock Rádio

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Black Oak Arkansas (Cobertura)

Festa Sulista na Virada Cultural 2012
Por Renato São Pedro.

A Virada Cultural é um evento anual promovido desde 2004 pela prefeitura da cidade de São Paulo com o intuito de promover na cidade 24 horas ininterruptas de eventos culturais dos mais variados tipos, como espetáculos musicais, peças de teatro, exposições de arte e história, entre outros. O evento foi inspirado na Nuit Blanche de Paris, que agita anualmente a capital francesa, com atrações que seguem madrugada

adentro. Com contornos superlativos, o festival possui vários palcos espalhados pelo velho centro de São Paulo, por exemplo, na Avenida São João, Praça da República, Largo do Arouche e a Estação Júlio Prestes.
O grande trunfo da Virada tem sido levar atrações de primeira linha a cidadãos de todas as classes sociais, principalmente aos pobres, que muitos dos quais nunca estiveram em um teatro ou sala de concerto anteriormente. Também tem contribuído para o renascimento do Centro de São Paulo, ao levar os paulistanos para a região, que habitualmente se esvazia durante a noite. E como em um passe de mágica a prefeitura conseguiu ver que existe, sim, Rock no sul dos EUA e resolveu apostar as suas fichas no lendário “Black Oak Arkansas”, uma das bandas mais conceituadas do Southern Rock. E melhor, para fechar esse grande festival gratuito.

Pôde-se notar que o anúncio deste grande expoente do “Rock Caipira” tornou os “mares da internet” em um verdadeiro pandemônio, fazendo com que centenas de internautas, de todas as partes do Brasil, “saltassem do chão e esmurrassem o ar” de alegria. Por volta das 17h10m do dia 06/05/2012 o Black Oak Arkansas sobe ao palco. Logo atrás, um a um, surgiam os caras responsáveis pelo entretenimento de todos.
A banda inicia apresentação com "São Paulo Medicine Man”, música inédita e que homenageia a cidade de São Paulo. Dias antes a banda tocara a mesma, de maneira acústica, na entrevista concedida a rádio Kiss FM. Pesada e poderosa. Talvez seja a música perfeita para abrir todos os seus shows a partir de agora. Um grande som. Depois vieram “Plugged in and Wired”, “Hot and Nasty“ e antes de Uncle Elijah”, o tradutor Felipe Godoy, que também conduziu a entrevista bilíngüe na Kiss FM, é
chamado ao palco para explicar ao público as doces palavras de Jim Dandy acerca do “tio” Elijah”, um senhor que viveu até os 105 anos de idade de maneira simples e honrada. Pôde-se notar a emoção do público ao saber um pouco dessa história. Com o fim desse primeiro set de quatro (04) músicas, onde fizeram um pequeno apanhado de seus hits, foi à vez de apresentar o grupo para o público presente. Com seu bom humor freqüente Jim Anunciou cada membro: o guitarrista Arthur Pearson,
o também guitarrista e membro fundador da banda, Rickie Lee Reynolds, o baixista George Hughen e, talvez, o mais aclamado por todos, o baterista Johnnie Bolin. Esse sobrenome diz algo a você Tenho certeza que sim, mas vou explicar para quem não sabe. Johnnie é o irmão mais novo do lendário Tommy Bolin, guitarrista do Deep Purple e James Gang, que infelizmente faleceu aos 26 anos de idade em 1976 vitima de uma overdose de substâncias ilícitas.
“Heart Breaker”, cover do Grand Funk Railroad, animou ainda mais os cowboys presentes à Virada Cultural. Não é uma grande música (opinião pessoal), mas tenho que admitir que a parte instrumental, ao vivo, ficou mais deliciosa que a versão de estúdio do próprio Grand Funk, com grandes guitarras de Rickie e Arthur, e um sentimento de pura emoção de Jim Dandy. Mesmo com a grande quantidade de fãs, a platéia se mostrava um pouco acanhada, fazendo com que o Dandy mostrasse um pouco mais o que é ser um grande frontman do Rock. “Post Toastee”, outro cover e dessa vez de Tommy Bolin, foi um dos pontos altos do show. Público cantou em uníssono esse grande tributo prestado ao finado guitarrista fazendo com que seu irmão Johnnie se emocionasse atrás de seu poderoso kit de bateria.
“Hot Rod”, outra poderosa do seu sensacional “Raunch 'N' Roll Live” (1973), é um som muito prestigioso, muito mais com essa formação, fazendo o “Carvalho Negro do Arkansas” a soar como uma banda de Hard Rock. Rickie Reynolds mais uma vez mostra que além de ser um excelente guitarrista tem uma presença de palco simplesmente fantástica, usando e abusando de suas seis (06) cordas. Antes de introduzir o próximo tema, Jim agradeceu mais uma vez a presença do publicou e teceu juras de amor ao Brasil e principalmente São Paulo. “Memphis Meantymes” foi muito interessante, por que apesar de a performance teatral de Jim Dandy não ser extravagante como é de praxe, ele foi tão espetaculoso como se tivesse pulado e rodopiado como faz corriqueiramente. INCRÍVEL o poder deste frontman que consegue prender a atenção de seus fãs de maneira sublime. Em seguida vem “When Electricity Came To Arkansas”, com um show a parte do George Hughen. Que baixo sensacional o baixo dele. “Funky”, dançante... Simplesmente fantástico. Infelizmente estava chegando o final da festa. E o melhor com certeza ficou por último. Uma parcela de fãs do Rock sulista gostam de chamar essa música como um dos hinos definitivos do Southern Rock. Não sei, hino ou não ela é fantástica. “Jim Dandy” (To The Rescue) elevou a adrenalina de todos os presentes ao palco São João. E pensar que esse cover dos anos 50 foi um pedido de Elvis Presley para que o Black Oak Arkansas o gravasse. Nada mais justo, essa música é uma festa, assim como é a temática desta banda que já quebrou todas as barreiras do Rock and Roll. Para ter ficado mais legal faltou a “Ruby Star”, que cantarolou com o grupo em boa parte de seus discos.
Infelizmente foi um concerto curto, mas em se tratando de “Virada Cultural”, foi totalmente compreensível, pois nenhuma banda ultrapassou o limite de 1h30m de show. Só tenho elogios para com a banda. Jim Dandy pode não estar no seu auge de forma física, mas sua voz continua exatamente igual, fazendo com que todos os presentes,se transportassem para os anos 70. Rickie Lee Reynolds tocou sua guitarra maravilhosamente bem e suas interpretações estão cada vez mais empolgadas e arrebatadoras. George Hughen e Arthur Pearson tiveram também performances empacáveis e Johnnie Bolin é carismático e um grande baterista, conduzindo as baquetas desde os idos dos anos 80. A banda como um todo se mostra cada vez mais coesa e pronta para abalar novamente todas as estruturas do Rock and Roll e Southern Rock. Quem viver, verá! 

SET LIST: São Paulo Medicine Man - Plugged in and Wired - Hot and Nasty – Uncle Elijah – Heart Breaker - Post Toastee - Hot Rod - Memphis Meantymes - When Electricity Came To Arkansas - Jim Dandy.

Um final de semana com Black Oak Arkansas.
Por Luca Magli e Otávio Cintra.

O Black Oak Arkansas é aquele tipo de banda que embora não tenha sido uma das mais populares do mundo, com certeza foi uma das bandas de rock dos anos 70 mais influentes, respeitadas e conhecidas entre o meio musical. O icônico vocalista, Jim Dandy Mangrum, por exemplo, serviu assumidamente de fonte de inspiração de estilo de David Lee Roth, foi considerado por John Lennon como à frente de seu tempo e citado por Mick Jagger no Tonight Show como seu frontman preferido entre as bandas dos anos 70. 


Mesmo com tudo isso as chances da banda vir para o Brasil eram remotas. Então quando vimos à programação da Virada Cultural entramos em êxtase e logo pensamos em como seria um sonho conhecer a banda, mas nunca chegamos a imaginar o que estava por vir.
Assim que chegamos no hotel para o meet and greet oficial já percebemos o clima amigável: enquanto fumávamos cigarros do lado de fora o baixista, George Hughen, e o guitarrista, Arthur Pearson, se aproximaram de nós de forma muito amigável e a primeira coisa que George disse foi “In Texas we call these roachscabbers” apontando para nossas botas. A partir desse momento começamos a conversar com os dois e pedimos para tirar uma foto. George então fez um sinal para dentro do hotel e quando vimos Jim Dandy estava do nosso lado para tirar a foto, copo de whiskey à mão no bom modo sulista. 

Tínhamos planejado tanta coisa para falar com Jim mas, como ocorre sempre que se vê uma lenda dessas pela primeira vez, ficamos paralisados e a única coisa que conseguimos murmurar foi um sorridente “It’s a great honour to meet you” para o qual ele respondeu a mesma coisa, que era uma honra para ele conhecer os fãs brasileiros. Passado o choque inicial conversamos mais um pouco com os três e ganhamos a simpatia deles, até a banda ser chamada pela produção do evento para que fosse feita uma entrevista e os preparativos finais para o encontro com o público.


Após uma sessão de autógrafos mais formal a banda voltou a falar com os fãs e foi então que conhecemos os dois membros com os quais ainda não tínhamos conversado:Johnny Bolin, o baterista, uma figura incrivelmente tranquila e irmão do mítico guitarrista Tommy Bolin; E Rickey Lee “Ricochet” Reynolds, guitarrista original e uma figuraça. Após muita conversa, ver a linda guitarra “Rebel” de Arthur, o baixo de George e ouvir algumas histórias de Jim, os três, que já haviam adquirido uma incrível simpatia por nós. Perguntaram para nós se gostaríamos de ir até o seus respectivos quartos para bater papo. Imediatamente dissemos que sim. Uma chance de se divertir e realmente conhecer as pessoas por trás dos instrumentos não pode ser recusada (como Jim disse pra gente enquanto contava a história de que foi Elvis que pediu para a banda gravar “Jim Dandy”, “You don’t say no to the king”). Arthur e George foram comer enquanto subíamos para o quarto com Jim.


Entrar no quarto de hotel do seu ídolo é uma experiência incrível. A primeira coisa que notamos quando entramos foi a famosa Washboard, uma das marcas registradas dele e, com sua permissão, a pegamos.   Quando se conversa com Jim Dandy se percebe que ele é um showman em tempo integral, é impossível não ser entretido por ele e suas loucas histórias. Jim nos contou histórias hilárias, como a vez que ele encontrou Timothy Leary e Bob Dylan. É possível sentir o orgulho na voz de Jim quando ele conta a historia da musica “Jim Dandy”, um cover sugerido ao grupo por ninguém menos que Elvis, ou de quando John Lennon o chamou para conversar e disse que ele era a frente do seu tempo, ambos em relação à música e suas idéias. Além dessas histórias Jim também conta muitas sobre o interior do mundo musical da época, a maioria com tom conspiratório. Porém, com certeza o ápice do nosso papo com ele foi quando dissemos que um de nossos sonhos era cantar hino dos Estados Confederados do Sul “Dixie” (clássico do BOA, cuja primeira parte é a cappella) e sem hesitar Jim puxou a música e cantamos juntos. Foi nesse momento que percebemos o quão em forma ele ainda estava, sua voz estremecendo o quarto numa altura impressionante e impecavelmente afinado, sem nenhum esforço aparente.

Depois disso o resto da banda voltou e se juntou a nós, ficamos mais um tempo lá com todos, conversando e rindo, até que eles foram assistir ao show do Iron Butterfly. Os músicos se despediram de nós e nos convidaram a retornar no dia seguinte antes do show. Não podíamos ter ficado mais felizes com o convide e voltamos no dia seguinte, quando encontramos Arthur, que abriu um sorriso e nos convidou pra subir. No corredor do hotel ouvimos o som de um baixo e, de repente, George aparece em nossa frente tocando, dizendo que havia nos visto da janela e queria fazer uma surpresa. Ficamos um tempo conversando com os dois, que disseram estar muito animados para o show e para tocar para um público novo. Foi então que Jim apareceu, já vestido para o show. Depois, Rickey Lee e Johnny também apareceram e ficamos com a banda toda até a hora que achamos que era melhor ir embora para pegarmos bons lugares na platéia e para que a banda pudesse se preparar.
Mais ou menos uma hora e meia antes do show começar estávamos na frente da platéia quando um membro da produção subiu no palco, nos avistou, foi até nós e disse que a banda tinha pedido para ficarmos no backstage com eles até o show. Antes do show chegamos até a ajudar a banda a subir no palco com o equipamento e traduzimos algumas coisas que eles queriam dizer para o engenheiro de som. Então descemos para a área VIP, onde pudemos ficar com a produção. A banda abriu o show com São Paulo Medicine Man, uma musica em homenagem à cidade que estará no próximo álbum da banda e que quem acompanhou a estadia deles no Brasil já havia ouvido em versão acústica na Kiss FM. A música, que é realmente muito boa, chegou a impressionar o público logo de cara e, como a segunda musica que a banda tocou, Plugged in and Wired, tem uma pegada mais pesada que as músicas da fase setentista deles. Depois delas a banda começou a tocar seus clássicos: Lord Have Mercy on My Soul, incluindo monólogo “Halls of Karma”, foi espetacular e animou a platéia. 

When Electricity Came to Arkansas, na nossa opinião uma das melhores musicas instrumentais de todos os tempos, tem uma energia incrível e uma grande interação entre a banda e platéia (quem já viu o magnífico show da banda no Califórnia Jam com certeza sentiu algo a mais durante essa música). 

A banda fez uma incrível versão de Heartbreak, do Grand Funk Railroad, que Jim dedicou a Ruby Starr, amiga e cantora falecida. Happy Hooker foi uma feliz surpresa para nós, não esperavamos que eles a tocassem. Hot Rod é uma música animada e conhecida pelo publico e foi com certeza um ponto alto do show, junto com Jim Dandy e Uncle Lijah, que a Avenida São João inteira cantou. Quando o show acabou o publico tinha visivelmente sido surpreendido pela banda e os gritos de bis explicitavam isso.

Depois do show voltamos para o backstage e ficamos conversando com a banda até eles terem que ir embora. Tinham ficado realmente orgulhosos do show, Arthur e Jim já haviam dito no quarto que estavam muito animados para tocar para um publico novo num lugar diferente, depois do incrível show e da calorosa recepção do publico eles estavam com um visível ar de “missão cumprida”.

A música dispensa comentários: Sua originalidade s suas grandes capacidades musicais são obvias até aos distantes do gênero sulista. Porém, depois de cantar no quarto, rir muito com varias historias loucas, ser considerado amigo por eles e ter um dos melhores finais de semana de nossas vidas, podemos dizer que são pessoas incríveis, abertas, humildes e com um ótimo coração. São mais que ídolos agora pra nós, são amigos e ficar amigo dos seus ídolos é uma sensação maravilhosa que poucas pessoas têm o prazer de desfrutar durante a vida, por causa deles nós tivemos!

Veja também a entrevista do Black Oak Arkansas na KISS FM:


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