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Southern Rock Rádio

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The Marshall Tucker Band – Carolina Dreams Tour 1977 CD + DVD (Review)

The Marshall Tucker Band – Carolina Dreams Tour 1977 
CD + DVD (Review)

Uma instituição!!!!!!!!!!!!!!!!
É assim que vejo essa banda que é sem duvida uma das maiores do Southern Rock. E a quantidade de exclamações não foi exagerada.

Poucas são as que conseguem manter um padrão em seus discos. E com o The Marshall Tucker Band isso acontece. Assim como seus discos mantêm um padrão seus concertos ao vivo eram qualquer coisa de outro mundo. E é isso o que podemos conferir num dos DVDs mais fantásticos do Rock sulista,  o “Carolina Dreams Tour 1977”.

O show foi gravado e nunca lançado oficialmente nos anos 70, o que dá a impressão de estarmos vendo um bootleg. O que é ótimo! Sem overdubs, somente a banda, seus instrumentos e a satisfação de estar num palco! E foi lançado, para a alegria de todos os fãs dos “Tucker´s Boys”
A primeira coisa que se percebe enquanto se assiste a este DVD é que esses seis caras, da pequena cidade de Spartanburg, South Carolina, se preocupavam somente em fazer um bom show ao público, o que é notado em seus rostos a cada close de uma câmera. Jerry Eubanks tem um trabalho de flauta e sax tão bonito e perfeito para as músicas que se percebe que ele é uma das pessoas esquecidas na história da música, tragicamente ensombrada pelo menestrel Ian Anderson do Jethro Tull.

O vocalista Doug Gray é outro negligenciado e subestimado na história do Rock and Roll, sua voz é poderosa, única e reconhecível. Mas as verdadeiras estrelas deste show, no entanto, são os irmãos Caldwell, Toy e Tommy, cuja guitarra e baixo trabalham de maneira sublime, fazendo deste jogo de seis cordas ser um dos mais perfeitos da história do Rock. A interação entre ambos é uma força dominante durante toda a noite.

Dito isto, a verdadeira surpresa deste DVD é o comentário/entrevista com Doug Gray, que entra em grandes detalhes sobre o passado da banda. Uma das histórias mais incríveis que Gray revela foi o primeiro espetáculo da banda, em Nova York, em 1974 diante de cerca de 60 pessoas. Dentro de um mês desse show, abriam para o Allman Brothers no Madison Square Garden com lotação esgotada. Coisas do Rock and Roll...


1 - Fly Like an Eagle: Não poderia haver canção melhor para abrir este concerto, com um grande trabalho magistral de flauta de Eubanks. E o estilo “polegar” de Toy, mandando às favas as palhetas, dá um ar mágico a essa música e ao restante do show. Uma das mais sensacionais de sua carreira e que ganha mais vida em cima de um palco.

2 - Long Hard Ride: Outra bem mais poderosa do que sua versão de estúdio, onde o ritmo é muito bem conduzido por Tommy e a bateria da Paul Riddle trabalha como se fosse regência imperial, produzindo a sensação de êxtase em quem está assistindo. Se eu do meu sofá fico de boca aberta, imagino o que isso deva ter causado a quem estava presente. Uma música instrumental digna de grandes filmes Western.

3 - Searchin’ for a Rainbow: Este é um Honk Tonk simplesmente divino. A canção mostra a maturidade que a banda havia desenvolvido através de anos de turnês, e realmente, chega a emocionar, onde a influência dos irmãos Allman (há quem diga que as duas bandas eram rivais devido à música ser semelhante) é bem nítida, mostrando que o Marshall Tucker Band sempre soube transparecer seu lado sentimental nas letras. Magnífica execução de músicos diferenciados.

4 - I Should Have Never Started Loving You: Por falar em sentimento, é possível notar perfeitamente algumas lágrimas escorrendo dos olhos do vocalista Doug Gray durante a execução desta maravilhosa balada. Particularmente não sou tão fã de baladas (e não, não sou um cara frio e de coração de pedra), mas sou obrigado a tirar o chapéu, me levantar e aplaudir com entusiasmo. Todos em total sincronia mostrando o quão belo são os sentimentos sulistas. De alguma forma até que é agitada, depois acalma e continua na mesma toada até o final. São 7min30s de pura emoção.

5 - Heard It In a Love Song: Definitivamente uma letra tão linda não precisa ser executada em forma de balada. E é exatamente disso que eu estou falando. A introdução da flauta doce de Jerry Eubanks é qualquer coisa de sensacional Sou muito fã de Jethro Tull, considero o Ian Anderson como um dos mais empencáveis num instrumento de sopro, só que nesse caso, não existe um “Anderson da vida” capaz de superar Eubanks. Tudo fica perfeito com essa flauta tão doce e sentimental. Fora o timbre vocal de Doug Gray que está na sua melhor forma. É impossível não se deleitar com tudo nessa canção, baixo marcante de Tommy Caldwell, guitarras de Toy Caldwell e George McCorkle em sincronia, a bateria de Paul Riddle com batidas certeiras... Enfim, tudo é perfeito.

6 - Take the Highway: Já peguei muita auto-estrada ao som desta música. E garanto a você que é uma das coisas mais legais que um ser humano pode fazer. Vento no rosto, o infinito a sua frente... Uma viagem sem a necessidade de algo lisérgico em sua corrente sanguínea. A parte lírica desta canção definitivamente nos transporta para um lugar longínquo, ainda mais se formos contar os 6min13s desta versão ao vivo. Mais uma vez vejo o quão emocionante isto é para os membros do Marshall Tucker, satisfação nos rostos de cada um... Nobre e notável, UM CLÁSSICO!!!!

7 - Fire On the Mountain: Toy Caldwell senta-se. A sua frente uma guitarra deitada. Ele pega o slide. É uma guitarra do tipo “havaiana”. Ele não vai tocar o “ula-ula”, e sim um dos maiores clássicos de todos os tempos do Southern Rock. “Fire On the Mountain” é definitivamente uma das canções mais lindas que eu pude ter a oportunidade de ouvir. E passa longe de ser uma balada. Lirismo simplesmente espetacular, a banda se supera toda vez que a executa. Eu ouço no “repeat” e não satisfeito escuto quantas vezes forem necessárias. Tente, taí uma dica.

8 - In My Own Way: Nada é perfeito! É uma música legal, apenas legal, e prefira a versão de estúdio. Refrão um tanto quanto meloso, mas com solos de guitarras perfeitos e bem executados. Outra bem sentimental. Talvez você goste. Eu não.

9 - Never Trust a Stranger: “Meu filho, nunca confie em um estranho”. Sabias palavras de minha mãe. E o Marshall Tucker Band também seguiu a risca essa frase tão verdadeira. Tanto é que isso virou uma celebração. Impossível não sair dançando ao som desta canção. Meia-luz, mesas em volta, bebidas, um globo no teto e uma pista bem espaçosa. É bem provável que você saia dançando... Bem discoteca, talvez um pouco estranha as seus ouvidos. Eu garanto que é legal. É sim. Toy Caldwell executa um dos solos mais legais de sua guitarra. No vídeo é perceptível sua curtição. Nós dois curtimos. Você irá curtir. Aposta comigo?

10 - Ramblin' On My Mind: O show inteiro é de pontos fortes, dificilmente o ritmo cai, mesmo que eu não goste de “In My Own Way”, mas aqui parece que o concerto está prestes a pegar fogo. Ótima letra, mais sulista impossível, e uma pegada rápida, bem mais rápida que a versão de estúdio. Abra um tequila ou o melhor dos bourbon, feche os olhos e se deixe levar. Depois abra os olhos. Sua vida será diferente depois dessa.

11 - Can't You See: Não existe outra pessoa capaz de cantar essa música. Toy Caldwell a escreveu e cantou magistralmente. E o público em uníssono, também. Tanto a versão de estúdio como essa ao vivo é maravilhosa. Se a música tivesse forma, e me refiro precisamente a esta, deveria ser emoldurada e pendurada na sua sala de estar, para que as pessoas pudessem admirá-la em sua plenitude.
Encore

12 - This Ol' Cowboy: Depois de uma pequena pausa os Tucker´s boys voltam ao palco para mais duas performances. E dessa vez com elementos de folk, música regional, rural e tudo que lembra o sul e seus vaqueiros. “This Ol' Cowboy” é uma música injustiçada e não entendo a razão disto. Música típica das terras pantanosas do sul. Maravilhosa e ponto final. Obedece quem tem juízo.

13 - Will The Circle Be Unbroken: Costumo brincar que o título dessa música deveria se chamar “Zen Music”. Ela não é nem um pouco parada, mas sim a letra que é uma verdadeira pérola. E a condução é típica das igrejas americanas, aquelas bem de interior. Só faltou o coral feminino negro e um pastor para dar o “aleluia”. Música bacana.

Tudo o que posso dizer é que depois de ver este DVD do começo ao fim, se eu tivesse estado no “Capitol Theater” naquela noite no início de 1977, eu teria saído de lá me sentindo como se tivesse acabado de presenciar uma banda em seu auge, que coloca toda a sua  alma e coração em uma performance simplesmente arrasadora. Um  combo (DVD + CD) obrigatório em qualquer coleção de Rock and Roll.

Doug Gray (vocal)
Toy Caldwell (guitarra)
George McCorkle (guitarra base)
Tommy Caldwell (baixo)
Jerry Eubanks (flauta e metais)
Paul Riddle (bateria)

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